Arquivo mensal: dezembro 2015

Um pedaço desse dia…

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Um pedaço desse dia…

Daí… fui andar pelo centro de Londrina….. aliás, é sempre tão fresco e agradável caminhar por ele a esse horário….. além do que , não temos aquela preocupação imensa e paranóide com os assaltos apenas é lindo de contemplar, as pessoas educadas, a cidade está limpa…. enfim… eu que já morei em muitos outros lugares , gosto muito deste aqui. Ps. (A minha carteira reclama muito … dentre outros ) então vamos lá….. em meio ao centrão mesmo… prédios e grandes lojas, vitrines e monumentos … reparei uma casa … destas que muito antigas…… e sem reformas atuais, de cara pensei ali estar abandonada ou sei La…. ela se destacou em meio a avenida movimentada…. então reparei mais e mais…. e ao fundo há um quintal… com uma parreira impecável…. e um casal de idosos conversando com um terceiro ( geralmente a sós eles quase nunca conversam só brigam e resmungam ) rsrsrs

     Daí … segui um pouco mais… e fico pensando…. o que os levaria a permanecer naquela casa (sério, parece uma casa mal assombrada, do tipo, muito antiga e eu adoro) geralmente os mais velhos não suportam os barulhos do centro…. mas eles pareciam tão satisfeitos (ou talvez sejam do tipo que amam o lugar e a sós reclamam o dia inteiro) … Mas enfim, lembrei-me de uma amiga, que agora passa por tantos ecos de dor e embora aqui não esteja, deu uma mudança geral no visual, no lugar, nas pessoas com quem convivia … enfim…. os ecos das dores continuam…. daí entendi o casal….. sabe…. não importa o seu “Check in” … o seu lugar de estar bem…. de fazer e estar “em casa” está dentro de você…… e a gente carrega isso aonde vai…. gosto muito de Deleuze quando ele cita o “entre” … sim…. tudo está no “entre”… Até a parreira impecável está no “entre” daquela subjetividade do viver…. e mais…. do “existir” … então é isso…. já que a gente carrega com a gente o lugar bom de se “estar”…. que hoje , principalmente a partir de hoje ….. e para todos os outros dias … vc carregue o melhor do seu “estar” …. que vc consiga se render a simplicidade de um quintal e uma parreira ….. que vc consiga se encontrar ou fugir pra dentro de si e que principalmente … você consiga conviver e se responsabilizar por isso. Porque…. chega de desculpas….. E … que ao abrir a porta…. você possa encontrar alguém que realmente esteja com com você no seu “estar” …

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Entretanto … o fantasma é tanto….

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Entretanto … o fantasma é tanto….

 

Acho que um dia todos chegamos num limite, ainda que seja para outras buscas, com os mesmos protagonistas ou não, há um limite. Pois é…. o meu está num fantasma …. a coisa da presença que não sai …. e deve …. precisa sair …. já pensei e tentei mil possibilidades … não adiantou … é um exorcismo difícil esse relacionado ao outro, ainda mais quando esse outro é simplesmente um fantasma …. acho que talvez esteja dando muita importância a quem pouca dá a tudo que se refere a mim … então a grande questão é apenas focar….. descansar… tratar … e fazer as pazes com este fantasma … daí talvez finalmente ele desocupe o lugar que de fato está vazio ….   Abusado …
Xi…. pensei cá uma coisa….. talvez o fantasma seja eu … sim…. talvez eu não exista de fato….. não para aquela situação…… para aquele lugar…. para aquele sentimento……. quando finalmente a corporeidade se reinstalar …… eu de fato possa ocupar a cama sem o menor respeito ….. a despeito de quem não quer estar ….

Acho que o carinho seja outro, a presença seja de fato ate um toque de dedo sem querer…. complicado falar dos limites…… é tão de cada um…. creio que haverá um dia que eu veja outros olhares e daí enfim …. ops, cadê a história do fantasma? Afetos e atravessamentos não se estagnam ….. é preciso que haja fluxo….. e algumas vezes quando o “espaço” é demasiado grande …… não há fluxo….. e…. sei La…. sem regras não há devir ….

 

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O corpo e a identidade

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O corpo e a identidade

 

E então ela me disse ….

      Com este corpo eu me senti, senti o mundo, senti o outro, com este corpo eu me crio e me inscrevo enquanto sujeito, é com ele que me reconheço, me lanço,amo sou amada e ou rejeitada, mas é este corpo que de fato me pertence e quando eu o perco? E quando ele não reage a quem sou ? Quando sou e ele não é? O que me resta? Ah…. diria você …. “busque modificar seus hábitos, procure ajuda”, sim, já procurei….. e estou a caminho…no caminho é que me perco e me entristeço que me ajoelho e na verdade não é o caminho q está errado….. mas é que de fato com este corpo eu já não sei quem sou… onde estou ? Não sou eu ao espelho….. o caminho está tão incerto….. mas sou tinhosa….. não vou desistir de me encontrar com ele …. e quanto a vc… que por bem ou não tanto me fez e deixou de fazer…. espero que não se surpreenda…. pode ser bem rápido….. Quando você se transforma…. você transforma o seu todo e o seu redor….. são complexas as etapas para um ajustamento do “Eu” …. e quando vc se perde e de novo precisa de reencontrar???? Me diga você….. pense você….

    O olhar que exerço, padeço-o também. Eu não sou um sujeito objeto excludente do outro, ao contrário tenho com eles relações de complementares afins. E é por isso que não me esgoto ( Ainda bem, tenho saídas) Ainda bem que eu e ele podemos continuamente nos modificarmos.

    A identidade do eu como corporeidade, instituinte apela ao dom e ao desejo como sintomas do amor, esta é a marca autenticadora do ser Homem (mulher) sentido primeiro de sua identidade.
Bem… e na verdade … nem sou ou estou tão grande ou pequena assim…. tão perto ou tão longe de mim….. Apenas estou caminhando a um estado antigo em que não era EU a pessoa a viver ….. a se colocar … a se permitir …. e a permitir o outro ….

Sobre confiar: O sadismo e o masoquismo nosso de cada dia.

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Sobre confiar: O sadismo e o masoquismo nosso de cada dia.

Aqui a esta hora ( ainda com o céu escuro…. creio que chova em Londrina, o que me detém a caminhada no parque) …. tentando buscar alguma teoria que me proponha pensar respeito daquelas pessoas que quando está indo tudo bem…. melhorando…. vão e buscam algo de 1030 para esfacelar qualquer possibilidade de ter uma vida de entrega e feliz. Quem são essas pessoas? Como vivem? Do que se alimentam? Como se reproduzem?
Certo dia me veio caso desses, e fiquei pensando que talvez elas queiram sabotar a própria felicidade, mas eu, simples adepta e crente do “ sadismo e masoquismo nosso de cada dia”, só posso inferir que há algo de sádico (pois faz o outro sangrar escalpelando aos poucos a crença que o outro tinha que daria certo e seria um dia feliz) e algo de masoquismo elevado ao cubo ( do tipo que precisa ter a culpa como prazer em viver para ser “só” um sofredor , do tipo que responde sempre: Comigo está tudo bem, na intenção de dizer : Estou sempre mal, preciso estar mal)
Enfim, por que não consegue mantê-lo ainda que dentro deste seu funcionamento um pouco mais estável, pensei em convidá-lo a sair da chuva, entregar os pontos e sair do caso. Mas estou intrinsecamente dominada por meu instinto recém despertado de amar, de acolher e entender, aprender, afinal, quem de nós não possui como disse um amigo aqui do blog “uma camiseta com buracos”? Elas são deliciosas, nos causam um bem estar, um rejuvenescimento propulsor e uma tranqüilidade de sermos nós mesmos.Confortáveis com nossos buracos. Concluo que talvez seja este o meu maior “buraco” na camiseta branca amarelada …. mas a única que me faz ser o melhor de mim. Acho que fico mesmo linda com ela …. ainda que me avise que a dieta não pode parar ….. RS Não … não estou de luto…. talvez um pouco triste, hoje é um dia especial para mim….. Mas talvez, não seja eu a não querer mais o caso e sim o outro. Mas não é o que sinto. E hiper sentir é minha maior habilidade no mundo do sadismo e masoquismo nosso de cada dia… sei La….

 

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Mas quando o amor está ausente e o pai e a mãe continuam dizendo, “Não faça isso”, e “Faça assim”, aos poucos a criança começa aprender que, “Não sou aceita como sou. Se faço certas coisas, sou amada. Se não faço certas coisas, não sou amada. Se faço algumas outras coisas, sou odiada”.
Assim ele começa a encolher. Seu puro ser não é aceito e amado. O amor é condicional; a confiança é perdida. Então ele nunca será capaz de ter uma bela auto-imagem. Porque são os olhos da mãe que lhe refletem pela primeira vez, e se você puder ver felicidade lá, uma alegria, uma emoção, um grande êxtase apenas lhe observando, você sabe que você é valioso, você sabe que tem um valor intrínseco. Assim é muito fácil confiar, muito fácil render-se, porque você não está assustado. Mas se você souber que está errado, então você está sempre tentando provar que está certo.
As pessoas se tornam controvertidas. Todas as pessoas controvertidas são pessoas que não possuem uma boa imagem de si mesmas. Elas são muito defensivas, muito melindrosas. Se houver alguma pessoa controvertida e você disser que, “Isso você fez errado”, ela imediatamente salta sobre você, fica muito zangada. Ela não pode nem mesmo aceitar uma pequena crítica amistosa. Mas se ela tiver uma boa imagem de si mesma, ela estará pronta para ouvir, pronta para aprender, pronta para respeitar a opinião dos outros. Pode ser que estejam certos, e mesmo que eles estejam certos e ela errada, ela não está preocupada porque isso não importa. Ela permanece boa a seus próprios olhos.
As pessoas são melindrosas. Elas não querem ser criticadas, não querem que alguém as diga para fazer isso, para não fazer aquilo. E essas pessoas pensam que não podem render-se porque elas são muito poderosas. Elas são apenas doentes, neuróticas. Só um homem ou uma mulher poderosa pode render-se – os débeis, nunca. Porque na rendição acham que a fraqueza delas será revelada para o mundo todo.
Portanto se você sentir que é difícil confiar, então você tem que regressar. Você tem que escavar fundo nas suas memórias. Você precisa ir ao seu passado. Você precisa limpar sua mente das impressões do passado. Você deve estar tendo uma grande pilha de lixo de seu passado; descarregue-o. Essa é a chave para fazer isso: se você puder regressar não apenas como memória, mas como um reviver

Preciso confiar tanto, eu quero especialmente ser capaz de confiar em você, e sofro porque não consigo.
(Osho)

As pessoas que confiam nelas mesmas podem confiar nos outros. Pessoas que não confiam em si mesmas não podem confiar em ninguém. A confiança surge da autoconfiança. Se você for desconfiado de si mesmo, então você não pode confiar em mim; você não pode confiar em ninguém. Se você não confia em si mesmo, como pode confiar em sua confiança? Isso vai ser sua confiança. Pode ser que você confie em mim, mas é sua confiança: Você confia em mim e não confia em si mesmo. Então não é uma questão sobre mim, é uma profunda questão sobre você mesmo.

Do amor, quando basta?

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Do amor, quando basta?

Do amor, quando basta ?

   Nem toda a relação termina com uma traição. Quando existe amor, a relação pode ser reconstruída. Procure tentar perceber se a sua pode ser reconstruída.

     E aquilo nem foi nada, nada intencional… talvez uma birra demasiada “infantil” … talvez a falta que fez implorar tanto para que lhe desse mais atenção…. manifestasse aquele desejo de publicar o amor , assumir finalmente o amor…. a convivência, mas não…. ele apenas cobrava, avisava, acho, de acordo com o que me narrou a moça,  que nem ciúmes era, mas um zelo por sua imagem publica, um zelo pelo orgulho, ego envaidecido….. enfim, não foi por ciúmes….. isso ela sabia bem, mas…. o que abstraiu de uma conversa, foi o bastante para se sentir traído. Porém, não assumir a relação, deixar “brechas” para ser desejado, não configura também traição ? Cobrar todas as explicações do outro… o q comeu, que horas saiu, com quem esteve, quanto gastou, e entretanto fazer compras pra si, e para seus familiares e ainda “esconder” certas peças….. com desculpas estapafúrdias … não configura traição?

O pior, disse-me, foi vê-lo sofrer, e de fato sofreu, não sei se por ela, mas por si mesmo. Por notar que nem todo controle possuímos, que para uma relação dar certo não se trata de dar “explicações” feito que cada um deve ter sua individualidade preservada e respeitada, mas deve-se partilhar com o outro o que se cobra tanto dele. Resta-lhe a culpa, restou para ela o aniquilamento, a dor, o desajuste, a ausência do que teve como felicidade numa rotina de entrega e aprendizagem de finalmente amar alguém.

             Talvez algum batom rosa o deixe mais feliz….. talvez algum dia ele saia da chuva, pois nota a moça que de fato sofreu. Triste, não foi por ela, o que de certa forma a absolve da culpa. Ela não o fez sofrer. Ela reagiu de forma errada e imatura a uma relação que já estava mergulhada na imaturidade e na desconfiança. Alguns não suportam perder o controle….. preferem perder a pessoa…. o amor que lhe foi entregue ….. de nada valeu e não vale, então ela me pergunta : “ amar vale o que ?” …

Se amar é dar o que eu não se tem, a quem não pode possuir … Sempre iremos amar novamente …. são outras travessias, ainda que os protagonistas permaneçam os mesmos, mas seria preciso ambos estarem “dispostos”
E isso é só o fim …

Sei la…

E ele achava feio … o que não era espelho…

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E ele achava feio … o que não era espelho…

O DSM IV descreve aqueles que sofrem do Transtorno de Personalidade Narcisista como tendo “um padrão invasivo de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia”. Entre outras coisas, como atitudes arrogantes e insolentes, cita também como características da personalidade narcisista uma crença de ser “especial” e único, possuindo expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas, além de serem insensíveis, superficiais e não-empáticos. Essa última característica me chama atenção. A ausência de empatia, a relutância em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias.

Como acabei de dizer sobre Narciso: de tão centrado em si, rejeita o envolvimento com o outro. E agora vamos combinar, quem de nós nunca? E ainda, quem nunca se rendeu aos sedutores narcísicos uma ou outra vez?

De tão centrados que estamos em nós mesmos, em nossos problemas e alegrias, temos dificuldade em perceber sentimentos e necessidades alheias. Queremos (ou até acreditamos) que o mundo gire ao redor de nossos umbigos. E isso se dá tanto no plano individual quanto no coletivo. Como é fácil, centrados em nossas crenças, acusarmos o outro de coisas que não nos damos conta de fazer também… O tipo narcísico não tolera a ideia de outro “ser admirado”, “ interessante”, isso para ele é o fim, o aniquilamento de qualquer relação. É a mais sórdida “traição”

Voltando ao mito, é justamente a dificuldade que Narciso tem com a alteridade, a dificuldade em se relacionar e se colocar no lugar do outro que desperta a raiva de todos à sua volta e que culmina com a maldição de Nêmesis: “que ele ame e não possa possuir o objeto amado”.

Tirésias fora consultado por Liríope (mãe de Narciso) com a seguinte pergunta: Narciso viveria muitos anos? A resposta foi: Se não se conhecer… Se não se vir…
Quando vê aquele belo jovem diante de si, Narciso não reconhece ser sua própria imagem – claro, pois não se conhece! É no momento de insight em que percebe tratar-se de si próprio que o que Tirésias havia previsto se concretiza: depois daquilo, ele já não pode mais ser o Narciso que era. Antes podia ser um jovem frio, insensível e distante. Depois dali ele precisa mudar… A transformação… A metamorfose. Comparo a isso o processo terapêutico .. o despertar do analisando…. e muitas vezes do próprio analista…..

Narcisismo ao senso comum, ou não …. é excesso de amor próprio, excesso de auto-estima. Penso que é justamente o contrário. O narcisismo é a condição na qual uma pessoa não se ama (daí a diferença entre auto-estima adequada e narcisismo – esse último é uma defesa)

Se liga “narciso’s” … ainda há tempo…..

narcisismo na relação ...

Dos erros às travessias …

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Dos erros às travessias …

Dos erros às travessias …

   Todo ano a mesma coletividade pensante …. vou mudar, será que as pessoas mudam? Bem, sei que podem modificar muitos aspectos do seu EU, sei que podem recomeçar a partir de erros e não de convicções de que “isto é de mim” ….. erros podem ser pontes para recomeços, podem ser ajustes para um viver melhor consigo mesmo e quiçá com aqueles que erramos.
Mas, o problema é que em meio a essa vibração envolvente e esse incentivo impaciente de fazer renovar, trocar, fazer e acontecer, esquece-se completamente de tentar entender, no sentido mais profundo, o que de fato é preciso aperfeiçoar, reformular ou mudar em sua vida.
De “recomeço” em “recomeço”, temos criado uma ambição desenfreada de viver sempre uma nova história, de procurar por novas pessoas, de frequentar novos lugares. Sem notar, contudo, que viver todos esses anseios sem ter lucidez em nossas escolhas, não nos trará exatamente o ganho que se procura. Por isso, a pergunta que deveria caber a todos e a cada um antes de qualquer cogitação de recomeço é: o que, exatamente, você tem buscado?
      Posso dizer um pouco de alguém, errou, e luta por escolhas melhores, pois de fato a dor, o abandono, o aniquilamento da alma lhe trouxe o erro não como “parte dela” , não, desta vez foi aprendizado, lucidez de uma escolha, e não um “recomeço”. A busca vem das entranhas rumo ao objeto desejado, perdido, ou não. Se vale ou não a pena, uma vez que toda busca deixa algumas renuncias pontuais para trás, já não importa, é a busca lúcida e vivida de que este erro não se comete mais, afinal essa busca vem do que já não existe nela. É a busca do objeto amado, a completude que desta vez a parte que sabotava extirpou-se acerca da lucidez de amar, se dar, doar.
Hoje, ela já considera o sofrimento do outro e o seu próprio. Não há indiferença.

a busca

“ Deixe pra trás o que te faz mal, mas, sobretudo, abandone o mal que você faz.”

O ser Só, o não “SER”

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O ser Só, o não “SER”

         É… acho que escrevi pensando em você … 

        Ficar sozinho, creio que a maioria entende esse “termo” como escolha, ora, sem hipocrisia,outrossim, respeitando sua zona de conforto, até aqui você fez o que podia ter feito, errou, acertou, sangrou, feriu e foi ferido, mas vamos combinar? Não existimos sozinhos. E agora meu caro, está na hora de “ser feliz” .
“…E mais uma vez, agora cara a cara com a felicidade, você continua não escolhendo. Vai ser escolhido. E agora cheio de si, vai transbordar. Vai amolecer as pernas por um sorriso, e será digno de recebê-lo só para si. Vai sentir palpitar o coração só de ouvir a voz da pessoa e aquele arrepiar de até suspirar, a cada toque por mais despretensioso que seja. E você, Capitão do Navio da sua vida, entenderá que ‘deixou’ o vento te levar todo esse tempo, e mesmo se enfiando em muitas tempestades mar à fora devido as teimosias suas, descobriu com muito custo a calmaria no tesouro que seu destino, totalmente justo, já tinha reservado para você. Porquê, felicidade completa é felicidade a dois…”
Sigo dizendo…. o amor só se conjuga no plural. A sim, ele pode até não “ser tudo” , claro, você precisa dessa afirmativa mental para defender que é você quem escolhe. Proponho-lhe um trato, saia dessa zoninha de conforto cujo discurso está um tanto desgastado e aceite de uma vez, você foi escolhido, você ama e isso basta para conduzir de outra forma todas as outras coisas. Ah…. que pena, mas depende de você…… e você nunca sabe do “novo” em você…. prefere o antigo movimento de dizer “sou assim” , escolhi.
Sigo as palavras enfáticas e tristes, será que a miopia do seu SER te impede de experimentar o novo? …” Vem comigo….. no caminho eu te explico….”

       Viva o amor, o respeito e a compreensão, isso você pode escolher. Expôr-se pessoalmente não é fácil, porque se tem pouco controle sobre o processo e sobre os efeitos da comunicação, mas não o temos desde que nascemos, não somos uma máquina. Somos outra coisa, fácil, seja ele entre amigos, familiares, ambiente de trabalho ou eventos sociais, sempre estamos vulneráveis a comentários, percepções, julgamentos e críticas, e o mundo pode parecer bem hostil em determinados momentos. Experiências desprazerosas neste campo em qualquer período da vida pode fazer com que muitas pessoas prefiram a reclusão, tenham traços de fobia feita de verdade e mistério, consciente e inconsciente, corpo e alma. A falsa ilusão criada pela imagem virtual em substituição a presença, tem tirado as pessoas do corpo a corpo. Mas a cada escolha; reclusão, vida social, ou vida virtual, há um preço ao qual não se escapa – a dor de existir – que está para todos, e não há uma receita para evitá-la, apenas um saber-fazer particular que cada um tem quando ela bate à porta, entretanto, a dois a partilha , a superação, a entrega torna o preço menor …. Existir a dois…. seja como for …. é existir plenamente. E chega dessa balela que “ é preciso antes se amar para depois amar alguém” , discordo, a gente se cuida , tem bons sentimentos para com a gente mesmo, auto estima e afins, se cuida, tem dias que se acha um lixo, outros uma princesa, mas amar…. a gente ama mesmo o outro e que delícia poder ter aprendido em tempo…..

…E a pessoa disse: “É só a dor, eu não consigo mais”…

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…E a pessoa disse: “É só a dor, eu não consigo mais”…

Um pensamento sobre o desejo da morte …. o Nirvana em nós

aquele dia no parque

Tenho convivido com esta “fala” e tentado desconstruí-la, o “Ser” ainda estava conectado ao que vivíamos e lutávamos, uma amizade tão pura que acreditamos em anjos, mas a pessoa desejava o nirvana. Sabíamos que o instinto de morte e o de vida caminham juntos, ok, mas somos amigos, notei seus sinais, todos evidentes, suas melhoras, seus picos e suas descargas rumo ao Nirvana o nome do Desejo, era ali o Nome do Pai, do filho e do Espírito. Sofri dentro dele e não com ele, busquei o que achei razoável, mas nestes casos não há razoabilidade, e sim, nestes casos, cachorro que late morde…. então… estou aqui….. tentando de uma vez recorrer ás químicas …. é preciso tratar a dor aniquilante, o silêncio gritante do anúncio do fim.  Sofro tanto quanto….

“Desculpa, não consegui”

O escritor italiano Cesare Pavese (1908-1950), 12 anos antes de se matar com barbitúricos, tinha escrito: “Ninguém nunca deixa de ter um bom motivo para o suicídio”. A angústia existencial do suicida sempre vai fornecer justificativas para a sua morte. Ele sempre poderá enxergar a vida sem sentido ou ver prevalecer em si um sentimento neurótico de desvalia, derrota e de baixa auto-estima. Daí a criação de fantasias em torno da morte. Como se trata de um fenômeno pouco entendido e também considerado tabu (leia a matéria “Morte”, na Super de fevereiro de 2002), o suicídio geralmente é recriado de acordo com as expectativas do indivíduo. O suicida não pensa, por exemplo, que vai se decompor e virar pó.

“O suicídio é um ato de linguagem, de comunicação. Como vivemos numa rede de relacionamentos, a nossa morte significa algo para as outras pessoas”, diz a psicóloga Maria Luiza Dias Garcia, coordenadora da Clínica de Psicoterapia Laços, em São Paulo, que analisou mensagens (bilhetes, cartas, gravações) deixadas por suicidas no livro Suicídio – Testemunhos do Adeus. “Constatei, pelos discursos, que o suicida está num quadro de embotamento, como se estivesse afogado nas próprias emoções. Ele não aproveita os vínculos sociais para partilhar seus sentimentos e vê o mundo de uma maneira muito própria.” O suicídio, então, torna-se um meio de expressão, uma fala que não pôde ser dita.

Os especialistas costumam diferenciar as tentativas de suicídio do ato em si, uma vez que, de acordo com a intencionalidade e a letalidade, o gesto pode assumir sentidos diferentes. As tentativas de se matar são vistas como um grito por ajuda, sintoma de uma falha tanto no sistema familiar quanto no grupo social. “O indivíduo não consegue pedir socorro de outro modo, então opta por um ato extremo”, diz a psicóloga Denise Gimenez Ramos, da PUC de São Paulo. “Por que ele não foi ouvido? Todos dão conselhos, mas ninguém ouve o que ele tem a dizer. Esse indivíduo, portanto, fica com a impressão de que não existe para o mundo.”

Incapazes de comunicar a própria dor, os suicidas recorrem a algumas fantasias para justificar a si mesmos a autodestruição. A busca de uma outra vida é uma das mais comuns. O indivíduo enxerga no suicídio a oportunidade de interromper uma existência infeliz e recomeçar, com uma nova chance para acertar. Matar-se também pode ser um jeito de acelerar o reencontro com pessoas queridas já mortas – o pai, a avó, um amigo, o cônjuge. Outras fantasias comuns acerca do suicídio: gesto de vingança ou rebeldia, castigo e autopenitência. “A idéia da não-existência é tão insuportável que a mente humana inevitavelmente recorre às fantasias para levar adiante o projeto de auto-aniquilamento”, diz Roosevelt Cassorla. Mas o indivíduo nem sempre tem acesso consciente a essas fantasias.

O psicólogo Valdemar Angerami-Camon, do Centro de Psicoterapia Existencial, chefiou por quatro anos o Serviço de Atendimento aos Casos de Urgência e Suicídio da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e constatou como tais fantasias estão presentes na mente daqueles que querem se matar. “O que me impressionava eram as pessoas que tentavam suicídio dizerem que não queriam morrer”, diz Valdemar. “Como alguém tenta o suicídio e diz que não quer morrer? Na verdade, queriam acabar com uma situação de desespero. Como não conseguiam ver outra alternativa, recorriam ao suicídio. Mas, ao depararem com a possibilidade concreta da morte, percebiam que não queriam, de fato, morrer.”

O psiquiatra Claudemir Rapeli, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autor de dois extensos trabalhos sobre suicídio, também constatou esse sentimento em boa parte dos suicidas que atendeu no Hospital das Clínicas de Campinas. “O arrependimento é imediato. Reconhecem que foi uma atitude impulsiva, desesperada, ansiosa.” Claudemir conta a história de um rapaz de 18 anos que tentou suicídio tomando um agrotóxico letal. (A substância provoca, em algumas semanas, uma espécie de fibrose pulmonar que impede a respiração normal e o indivíduo morre sufocado.) “Quando ele começou a sentir que não ia melhorar, que os médicos não podiam fazer mais nada, o pânico dele foi comovente”, afirma. “A motivação foi banal – uma briga com a namorada por achar que ela o estava traindo. Tomou o veneno para livrar-se da rejeição, mas não queria a morte. Ele pedia a todos os médicos que não o deixassem morrer.”

Você pode argumentar que muita gente se vê em situações de grande desespero ou solidão existencial e, mesmo assim, não busca o suicídio. O que faz a diferença? Na verdade, não existe uma personalidade suicida – existe, sim, uma vulnerabilidade emocional (que pode ser trabalhada com o apoio de um parente, um psicoterapeuta ou um amigo). “Quem tem uma estrutura de ego frágil pode não suportar uma grande perda ou um momento de crise e, num impulso, acaba cometendo o suicídio”, diz Ingrid Esslinger. O ego se constitui a partir dos primeiros vínculos afetivos, do modo com que o bebê foi cuidado pelas figuras de apego e da educação que a criança recebeu. Um ego fraco não tolera a frustração, não tem capacidade de espera, não suporta lidar com a impotência, com os limites e com os “nãos” que a vida impõe.

A solidão, a saudade, o amor …. Sim, matam.

Ele prefere estar morto à se ver morto dentro do Outro. E este Outro as vezes não está….

Bem, a história continua…. ainda existe uma linha tênue, mas existe.