E ele achava feio … o que não era espelho…

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E ele achava feio … o que não era espelho…

O DSM IV descreve aqueles que sofrem do Transtorno de Personalidade Narcisista como tendo “um padrão invasivo de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia”. Entre outras coisas, como atitudes arrogantes e insolentes, cita também como características da personalidade narcisista uma crença de ser “especial” e único, possuindo expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas, além de serem insensíveis, superficiais e não-empáticos. Essa última característica me chama atenção. A ausência de empatia, a relutância em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias.

Como acabei de dizer sobre Narciso: de tão centrado em si, rejeita o envolvimento com o outro. E agora vamos combinar, quem de nós nunca? E ainda, quem nunca se rendeu aos sedutores narcísicos uma ou outra vez?

De tão centrados que estamos em nós mesmos, em nossos problemas e alegrias, temos dificuldade em perceber sentimentos e necessidades alheias. Queremos (ou até acreditamos) que o mundo gire ao redor de nossos umbigos. E isso se dá tanto no plano individual quanto no coletivo. Como é fácil, centrados em nossas crenças, acusarmos o outro de coisas que não nos damos conta de fazer também… O tipo narcísico não tolera a ideia de outro “ser admirado”, “ interessante”, isso para ele é o fim, o aniquilamento de qualquer relação. É a mais sórdida “traição”

Voltando ao mito, é justamente a dificuldade que Narciso tem com a alteridade, a dificuldade em se relacionar e se colocar no lugar do outro que desperta a raiva de todos à sua volta e que culmina com a maldição de Nêmesis: “que ele ame e não possa possuir o objeto amado”.

Tirésias fora consultado por Liríope (mãe de Narciso) com a seguinte pergunta: Narciso viveria muitos anos? A resposta foi: Se não se conhecer… Se não se vir…
Quando vê aquele belo jovem diante de si, Narciso não reconhece ser sua própria imagem – claro, pois não se conhece! É no momento de insight em que percebe tratar-se de si próprio que o que Tirésias havia previsto se concretiza: depois daquilo, ele já não pode mais ser o Narciso que era. Antes podia ser um jovem frio, insensível e distante. Depois dali ele precisa mudar… A transformação… A metamorfose. Comparo a isso o processo terapêutico .. o despertar do analisando…. e muitas vezes do próprio analista…..

Narcisismo ao senso comum, ou não …. é excesso de amor próprio, excesso de auto-estima. Penso que é justamente o contrário. O narcisismo é a condição na qual uma pessoa não se ama (daí a diferença entre auto-estima adequada e narcisismo – esse último é uma defesa)

Se liga “narciso’s” … ainda há tempo…..

narcisismo na relação ...

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