…E mais uma do amor….

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…E mais uma do amor….

 

Eu nem queria falar do tema hoje…. mas…. já não sou EU quem escrevo … e essa parte de mim….

Sei La…. hoje estou meio às avessas ou à direita… não importa… deve ser esta minha nova fase de vida …. (um dia confesso) mas enfim…. busquei em algumas possibilidades um segundo repousado ouvindo Engenheiros do Hawaii … e estava absolutamente decidida a não falar de amor…. certa vez, entrei numa fase em que defendia o ódio, ele sim, movimentava e realizava coisas fantasticamente, quase fui queimada numa fogueira virtual… ou não…. mas apenas saí desta fase porque passando pelo céu foi fácil falar dela…. mas nesta época da vida passei um “tiquim” pelo inferno … e …o que me regatou foi o amor, o amor pelo outro, e o sentir-se amando o fazia….

Iniciei esse blog pois tive aqui em Londrina, um grupo : “Dependência Afetiva”… tive a honra de aprender e trocar com pessoas incríveis no qual apenas atuei como “terapeuta” e esse grupo me motivou um artigo, crescimento profissional e uma incrível experiência do amor. Uma pontinha de Lacan entra nessa questão… RS Mas enfim, o grupo se mantém, e os resultados o elevaram. Assim….. o mundo das palavras volta e meia me implora “amor” rsrsrsrsrs (Essa noite até sonhei com Deleuze) sim…. como se dissesse “há tanto do que falar” …. ah… mas…. enfim…. bora falar só um cadim mais….
Aqui falo de amor, e acredito nele enquanto agenciamentos….. encontros….. afetos possíveis…. devir…. só há amor enquanto agenciamentos de desejos e corpos, quando o outro desperta em ti tuas maiores potências e vice e versa….. esse é o amor que vale a pena. Os outros… ah… são os outros….rs

O amor para se desenvolver, precisaria estar no vácuo, em condições ideais. A sociedade mata qualquer possibilidade de um sentimento verdadeiro. A sociedade nos convida ao cinismo bem educado das relações convenientes. Obviamente, a maioria de nós adota este tipo de conduta de forma inconsciente, mecânica, como se fosse a melhor ou realmente a única coisa a se fazer. Enquanto associarmos o amor com instituições, procriação, aprovação social, estaremos condenados a viver relações medianas, para não dizer medíocres.

Dizem que as melhores pessoas são as que mais sofrem no amor. Faz sentido. Estas pessoas emprestam a sua generosidade e vontade de proporcionar felicidade para o outro como se tais características pertencessem a seu parceiro/parceira e não a ela/ele. Como diria Choderlos de Laclos, autor de “As relações perigosas”, “O encanto que supomos encontrar nos outros, só em nós existe; e é apenas o amor que tanto embeleza o objeto amado”.

“diria Lord Byron por meio do personagem Don Juan que “na sua primeira paixão, a mulher ama seu amante, em todas as outras ela só ama o amor.”
Quando amamos ou imaginamos amar deixamos de ser um estranho para nós mesmos e descobrimos todo nosso potencial destrutivo e revolucionário.

Para o cineasta espanhol Luis Buñuel, amor e revolta eram as palavras mais revolucionárias que existem. E quanto mais ingênuo, iludido e patético é o amor que sentimos ou desejamos sentir, mais nos revelamos , mais revelamos o que inconscientemente ou não escondemos de nós mesmos. Quando amamos, as máscaras caem e já não existem mais meias palavras. Somos o que somos.

Amar dói pois o amor, na prática, é o avesso do ideal. Amar dói porque o amor remete-nos a nossa própria solidão. É só quando desejamos estar plenamente com o outro que nos damos conta de que não estamos plenos em lugar nenhum. É somente quando desejamos possuir verdadeiramente o outro que percebemos que não possuímos nem a nós mesmos. É apenas quando temos medo de perder o outro que reconhecemos que, em muitos aspectos, somos nós que estamos perdidos.

Amar o outro é amar -se. Odiar o outro é odiar-se. Quem não conhece o ódio não conhece o amor. Quem sou eu em você e quem é você em mim?

Amar dói porque os momentos de amor são inapreensíveis. Amar dói porque os ideais não existem. Amar dói porque o outro vai ser sempre o outro, ou seja, o diferente. Amar dói porque o amor é incontrolável e imprevisível. Amar dói porque o amor é um deus cruel. Amar dói porque o amor é desejar tudo e encontrar, a cada desilusão, o próprio nada.

imagem final
E vamos combinar, sem essa balela de dizer quando algo acaba, um deles se vai… “Ah … ninguém perde o que nunca foi seu” …. ahhhh bora parar de hipocrisia … ok, a gente de fato nem “teve” o outro… pois outro é dele próprio…… um Ser único (ainda bem que não existem clones ) então o outro “se pertence” (embora alguns nem tenham essa noção) … mas a gente quando esta vivendo uma relação, vamos combinar, ela é “nossa” e é F**** perder isso sim !!!!! A gente pode ate dizer que o outro nunca foi nosso, mas putz, ele estava na relação e a relação era nossa… minha…. dele…. dele…. minha…. enfim… e isso a gente perde SIM, e era nosso SIM.

Pra fechar com umas palavrinhas do meu querido Deleuze:

“O desejo sempre foi, para mim, se procuro o termo abstrato que corresponde a desejo, diria: é construtivismo. Desejar é construir um agenciamento, construir um conjunto, conjunto de uma saia, de um raio de sol…”

Ou seja meus caros, tudo pode ser construído….. ainda …. mas há que haver rupturas….. rupturas….

“… Eu que falei: “nem pensar…”
Agora me arrependo, roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão

Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser …”
(E.H)

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  1. Acho que só quando tomamos consciência que o ideal que construímos é nosso e não do outro que conseguimos, não apenas aceitar, mas entender o outro em sua complexidade. E aí sim conseguimos amar. Acho que o problema é quando criamos cobranças pra tentar fazer com que o outro se torne o “outro que inventamos pra nós”. Aí não dá pra se viver o amor de forma que nos faça bem…

    Viajei um tantinho, rs

    Beijos ❤

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  2. Na verdade não consigo acompanhar a ideia do amor dentro de um amontoado de conceitos e explicações de pensadores, filósofos ….onde todos querem conceituar este sentimento, procuram, rebuscam e “explicam”. Para mim não tem muitas explicações, ele é simples, e apenas cada um sente e sabe dá sua própria explicação ….a complexidade do amor esta inversamente proporcional a quem o sentimento destina …ou seja pode e deve ser simples.

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    • Sim. Como disse a pouco … de tão simples ele nos constitui…… e vamos combinar, não se trata de “explicar” apenas falar sobre….. desde o princípio .. fala-se sobre o amor… porque “sente-se” e de certa forma…. falar é catarse….. eu particularmente exploro o tema até por razões profissionais, isso me remeteu a uma pessoa que conheci com o pé engessado em 25 de agosto de 2014 e ele me propôs escrever um livro sobre….. então….. viva a simplicidade …. viva eu … viva tu …. rsrsrsrs Obrigada por seus comments tão pontuais e originais … sempre lúcidos ….. ou não….. rs

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