E do fim… um outro começo …

Padrão
E do fim… um outro começo …

E o fim… é apenas um começo ? Ou seria recomeço? Ou ainda, outro começo…

Eu sei que aqueles selinhos carinhosos com que eu insistentemente tentava presentear seus lábios já não tinham o sabor que você esperava, e foi devido a isso que eles começaram a ser retribuídos de forma tão automática. Eu sei que aquelas mensagens cheias de dengo que eu costumava enviar já não faziam as borboletas do seu estômago voarem. Preciso lhe dizer essas coisas porque eu achei injusto manter você nessa obrigação. Minha química já não era mais a sua disciplina preferida.
O ato simples de você colocar suas mãos geladas entre meus braços pra esquenta-las já era suficiente pra fazer meu coração palpitar mais rápido e me fazer gostar ainda mais de você. Mas pra você, nem mesmo o meu carinho mais sutil e jardineiro estava conseguindo fazer seu coração ferver como no nosso primeiro encontro.
Apesar de tudo eu reconheço seu esforço, porque se me lembro bem, faltou pouco pra gente ajustar os passos e caminhar lado a lado, daquele jeito sincronizado que chegamos até a praticar algumas vezes. Mas eu entendo que você não tenha conseguido me aturar. É bem verdade que, por vezes, eu não ajudei você a se manter do meu lado. As vezes nem eu me aturo.
Talvez tenha sido coisas que fiz ou disse, ou até mesmo as que deixei de fazer ou dizer. Mas no fundo, desconfio veemente que o principal motivo foi o fato de você sempre ter desejado um caminho alinhado demais, com muitos planejamentos sistemáticos, todo o tempo com aquela sede peculiar de quem quer prever o futuro para evitar sentir medo, para suprir sua necessidade de sempre estar preparado para o que viria em seguida.

E ainda, nunca, nunca dizer onde é que eu estava em sua vida. O que era de fato eu pra você e se mesmo usando 42 eu cabia nos teus planos., que aliás nunca ouvi falar deles.
Creio que na verdade você ainda se mantém a 30 anos atrás, e é fiel ao que viveu, e por isso parou ali, naquele relacionamento, e até sofreu muito, ao tentar projetar em mim a figura que te livraria de todo essas correntes arrastadas.
O medo do desconhecido te propiciou passos cautelosos, e uma caminhada serena. Realmente admirável. Porém sem nenhuma entrega, sem a menor chance de insistir em seguir apesar dos meus erros. Enquanto eu, nunca me importei por não estar preparada. Sempre tive certa facilidade com improvisos (nem todos eram bem feitos, mas vá lá… ), e isso me atraía para tudo que é novo e até me trazia certo chamego pelo desconhecido. Eu cheguei a tentar ser como você.
Desacelerei a caminhada, e até neguei alguns trajetos novos (é bem verdade que foi por medo de te perder). Cheguei a aprender a hora certa de dar alguns passos mais suaves e em certos momentos – você não pode negar – fui cautelosa à sua maneira. Ajustei-me ao seu jeito em muitas coisas, mas minhas trilhas sempre foram um tanto desajeitadas. Minha curiosidade me distraía com tanta facilidade e dias imensamente felizes !
Você, com suas comparações, sempre soube como destacar minhas imperfeições, mesmo que não falasse nada eu percebia que você queria moldar a mim e ao nosso relacionamento a um estereótipo que para você seria o melhor, e é fato que eu jamais seria algo parecido com aquela garota malhada de academia ou amigas visualizadas em fotos siliconadas e ate outras que você adorava curtir as fotos. ( maldito ou bendito facebook que revela tão rápido o desejo do outro).
Eu segui em frente quando você ficou em dúvida. Eu não quis voltar quando você recuou por medo. Mas não por querer te deixar pra trás, foi por instinto mesmo; por vontade de fazer meu próprio caminho ao invés de ficar invejando a relação alheia, a vida do outro. Quero minha própria jornada, sem imitações, sem “mesmices”. Talvez eu seja assim pelo receio de que minha vida possa ser um pouco mais curta, e, pense bem, sempre há tanta coisa pra ver e descobrir! Somos seres infinitamente surpreendentes!! E nem sabemos disso!
Sei também que te magoei por ficar furiosa quando você não ligava, mas isso também não fiz por mal. Na verdade, quase nunca olhava pro relógio. Nunca funcionei direito com programações e agendamentos. Na minha distração eu vivo de anseios e emoções e só queria ouvir sua voz…. me habituar a uma rotina qualquer para não me perder…
Não sei se é bom ou se é ruim, mas me acostumei com o fato de que não posso mudar isso sem sua cumplicidade.
Talvez eu nem queira… Sem muitas horas marcadas. Sem muitas predeterminações. Sem muitas cartilhas. Quando a saudade aperta sei que está na hora. Quando a lembrança carinhosa me toma, eu faço o dia ser especial, mas foi por isso também que transformei dias comuns em momentos marcantes, e mais uma vez, isso você não pode negar ou pior, sequer percebeu.
Chega a ser quase insuportável a dor de saber que você nunca realmente me quis como eu queria que fosse. Eu sei que a racionalidade e a calma precisam estar afiados em momentos em que os desajustamentos começam a acontecer aos montes, como agora.
Nessas horas você sempre foi melhor do que eu. Durante o tempo que te conheci, continuamente você conseguiu manter essa sensatez tão rara. E eu… Sempre atabalhoada, com ideias demais na cabeça e sempre procurando uma jornada nova e uma nova jornada, com meus livros, meus escritos tolos, e todas as coisas que eu me empenhava e você nunca, nunca reconhecia estar bom o suficiente. Você sempre esperou mais e mais de mim.
Não é que um de nós tenha se doado mais que o outro. O que acontece é que pra você intensidade é aquela famosa reclusão em um mundo seguro onde se possa construir seu próprio conforto e alcançar resultados.

Pra mim, intensidade é explorar a vida, tentativas, estar com quem se gosta e te faz bem, sem qualquer fronteira de “mundos”, conforto não é nem nunca foi meu objetivo principal. Perceba, não há forma certa ou errada, o que existe são apenas conceitos e visões diferentes.
Eu sei. Lembrar do que é ruim, nos deixa forte e seguro de nossas decisões. Lembrar do que é bom, nos deixa deprimidos ao reconhecer tudo o que poderia ter sido e não foi. É bem mais simples (e menos doloroso) falar sobre as coisas ruins de um relacionamento que acabou do que confessar todo o bem que a outra pessoa já nos fez. E você não consegue fazer ideia do quanto me fez bem.
Os machucados ainda doem e por isso mesmo seria imensamente fácil descrever todas as coisas ruins do nosso relacionamento, mas parafraseando Frejat, “a paz que eu busco agora nem a dor vai me negar”. Como a paz é o meu maior objetivo neste momento e como eu não quero fazer parte de um mundo onde julgar é mais importante do que tolerar, onde defender a si mesmo é mais importante do que compreender o outro, vou desculpar-me por ter falhado tantas vezes e de tantas maneiras e vou agradecer você por ter se esforçado tanto pra estar do meu lado. Afinal eu sei que ninguém é tão fácil assim. Sem rupturas não há encontro real e …
Você foi simplesmente incrível!
Agora preciso ir. Há tanta coisa a se fazer.

ps.( é apenas uma ficção)

Anúncios

»

  1. Espetacular! Quanto sentimento você colocou nisso! Sua cabeça realmente vai longe! Não ter passado por isso ou visto isso acontecer e escrever com esses detalhes é um talento xD Eu senti algumas partes que você escreveu, coisas que já passei. Bem assim ^^

    Se entregar e curtir tudo que aquele momento pode oferecer. Nada dura pra sempre, mas nem por isso vamos deixar de viver as coisas boas (=

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s