Arquivo mensal: fevereiro 2016

Quase uma canção para quem não sabe amar …

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Quase uma canção para quem não sabe amar …

Na linguagem do poeta é duvidoso saber que alguém pode ser tão demente, porra louca, inconsequente e ainda amar, assim como na canção que rola solta pelas vielas do coração, se pode escutar que não é possível ser esperto, inteligente e ao mesmo tempo amar. Não vou negar, o amor tem dessas coisas.

Enfurece, engrandece e esquece. O amor é remédio para a alma. Faz qualquer um parar, deixar de lado suas mil e uma coisas inadiáveis, e respirar. Como o ato de respirar, amar exige uma troca e um repouso da loucura do que somos para contemplar o outro e nele, nos encontrarmos.

Quase como o desejo mútuo que sentimos por nós, buscamos no outro, por egoísmo ou narcisismo, um espaço que nos caiba. Mas amor não é tão simples como se pensa, nele cabe, o que não cabe na despensa. A linha traçada do amar e do querer é tortuosa e não está desenhada na mão e nem nos traços de ninguém. Muito menos nos lábios de quem se ama. O amor é uma cãibra. (coisas que li por ai)

Há quem diga que o amor pelo outro parte do amor que sentimos por nós. Há quem diga que não, yo nunca amaré a nadie! Há corajoso para tudo nesse mundo, inclusive para não amar. O amor é feito de paixões e quando perde a razão, não sabe quem vai machucar.

Muitas vezes o medo de se machucar é maior do que o de amar. “O amor é um precipício, a gente se joga nele e torce para o chão nunca chegar”, diz o doce coração de Lisbela e olhe, que na ingenuidade de menina, ela se demonstra mais corajosa do que muita gente quando o assunto é se machucar.

Só é bom se doer, amigos. Amar é mais que entrega, é costurar no outro as paixões que sentimos, como o bordado e a artesã. Precisamos ser um pouco mais do que somos para fechar o olho esquerdo e acertar a linha no buraco da agulha.

Daí me vem um mas doido e me diz que amor só não basta… e não basta mesmo… porra … mas sinto lhe informar que ele desencadeia tudo o que pode bastar … mas pra isso o doido não pode se curar….

.

Arde, já dizia Camões. Mais próximo do amante do que o amor, só a boemia das noites em que o desejo pulsa mais do que qualquer pecado que tenha nome.

A peleja do amor e do desejo esbarra no egoísmo. É possível sim amar o outro sem se amar, mas porra … a gente ama mesmo é outro…. a gente tem é que se tratar … se cuidar …. e de quando em vez da pra dar um beijo no espelho sem se narcisar … todos os dias, em todos os pai nossos antes de dormir as pessoas amam e dizem que vão morrer de amor, como vi um flanelinha na semana passada gritando em meio aos carros: “Vou morrer de amor…!”.

O charme da vida está aí. Não se morre de amor. Morrem os amores e os amantes. Morre-se de dor de cotovelo, de dor dente e de dor de barriga. Mas de amor, só Romeu por Julieta.

Um diz que ama e e o outro diz que ama, então nasceu o mundo e depois disso não se ousa mais compreender quem é quem e o que é o que é.

Ninguém na verdade nunca conseguiu, nem o mais tenebroso Buk, que de tanta raiva escreveu que o amor é um cão dos diabos. O outro bateu a porta e foi embora, e a loucura continua lá, minha, sua, de nosotros.

Aí vem o menino dos cachinhos dourados dizer que somos eternamente responsável por aquilo que cativamos. Senta no bar e bebe a primeira dose príncipe. Quando somos nós quem batemos a porta, não queremos caber no ditado de Exúpery.

Tarefa mais difícil do que dizer eu te amo é dizer eu me amo. Todos os dias morrem de amor nos trópicos (ai de mim Copacabana!), diria o conselheiro Xico Sá.

As possibilidades de felicidade por mais egoístas que são, são verdadeiras, porque por mais vagabundo que seja o coração, Gal Costa, não podemos abraçar o mundo com as pernas (eu bem que tento).
Continuando nos versos do poeta, é preciso ver o amor como um abraço curto, para não sufocar. Sem ironias … a resposta pode ser doída …ou não. Insisto?

existo

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Vamos falar sem orgulho ?!

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Vamos falar sem orgulho ?!

O orgulho foi, até pouco tempo atrás, ignorado até pela Psicologia, então, não se preocupe em quantas vezes você o engoliu a seco e em doses cavalares. Durante a maior parte de sua existência, o orgulho não era visto como uma emoção e, hoje, ele pode ter significados fortes e distintos em cada ser humano.

Orgulho dentro da língua portuguesa possui dois sentidos totalmente contrários um do outro: um faz referência à dignidade, ao respeito, enquanto o outro ao estado emocional desequilibrado que compromete toda uma imagem social. E é, no limite dessas definições, que o sentimento torna-se defensor ou agressor da alma humana.

Há quem considere o orgulho um ato de justiça para consigo mesmo, um reconhecimento, um mérito. Devendo existir com o único objetivo da autopromoção.

Nesse caso, o orgulho pode ser facilmente confundido com a vaidade e com a soberba. Fernando Pessoa, classifica esse tipo de sentimento como natural do homem: “[…] o orgulho é a consciência (certa ou errada) de nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência de nosso próprio mérito para os outros.

Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, por ser ambas as coisas vaidoso e orgulhoso, pode ser – pois tal é a natureza humana – vaidoso sem ser orgulhoso.” (Obra em prosa – Ideias estéticas da literatura/literatura europeia – Editora Aguilar, Rio de Janeiro, página 312).

Nesses casos, a vaidade caminha de mãos dadas com o orgulho, o casamento perfeito, já que um fortalece o outro: “muitos homens têm um orgulho que os leva a ocultar os seus combates e apenas a mostrarem-se vitoriosos” (Honoré de Balzac). Jane Austen, autora de “Orgulho e Preconceito”, afirmava que: “a vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. Sei lá.. não fui eu quem disse…

O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.” Por outro lado, há quem considere o orgulho uma defesa da própria alma, que permite ao homem a não se sujeitar a situações desgastantes. Entendem o orgulho como um sentimento bom e que não deve ser visto como pejorativo ou destruidor.

Admitem que o orgulho sucede de uma dor e que, indiferente da causa da mesma, o sentimento tenta neutralizar a dor causada por algo maior que ele. O orgulho nesse caso é visto como um sentimento nato de defesa. Não servindo apenas para sobreviver a perigos físicos, mas para prosperar em circunstâncias sociais complicadas, de maneiras nada óbvias.

Voltaire tinha um dos pensamentos mais completos do tema: “O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si.” O orgulho aqui, não tem relação nenhuma com os sentimentos inferioridade ou autodepreciação. É um senso de respeito por si próprio, no estilo “não sou melhor que você, mas não admito ser humilhado”.
O grande problema encontrado nesses casos é encontrar pessoas que estejam dispostas a entender isso.

Algumas pessoas costumam entender que orgulho é algo ruim, narcisista.

Eu pessoalmente confesso que é bem difícil o exercício de tal emoção…. e quando lidamos com alguém que está inflado dela…. putz… que vontade mandar ….. (…) enfim…. Tudo na vida é questão de se propor a aprender… com o que parece “bonito” e o não tão bonito em nós…. exercer a função de cada emoção (mesmo aquelas que pensamos serem horríveis em nós) é uma arte a ser manifestada …..
Em doses homeopáticas podemos comparar o amor e o orgulho similarmente a um remédio: na dose certa restabelece o equilíbrio emocional, em quantidades exageradas leva à loucura e, provavelmente, à morte.

A velocidade do nu …

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A velocidade do nu …

 

Algumas pessoas têm fotos de pornografia no celular. Eu tenho comidas Gosto de ver comida e, às vezes, gosto de enviar fotos de comidas para meus melhores amigos. Também gosto de desenhar vestidos. Me acalma e me faz sentir bem quando estou doente.

Gosto do cheiro da cor laranja no papel.

Gastar um giz de cera laranja, bem laranja, no papel é uma delícia.

Gosto de cactos e pequenas plantinhas suculentas. Gosto de cafés, e barulho de vento.

Gosto de morder borrachas.

Quando era pequena, minha mãe advertia sobre o perigo de comer borrachas. Aprendi que borrachas não são comestíveis.

Aprendi também que continuo gostando de comer borrachas. Comer comê-las não, mas mordo-as todas.

São gostosas de enterrar os dentes e provocam um calorzinho bom nas gengivas.

Quer dizer, as crianças testam as coisas, experimentam, provam. Provar o mundo é uma delícia. Devíamos fazer o mesmo, confesso que ainda o faço.
Provo o gosto do café preto todos os dias.
Provo as manhãs com leitura e café preto.
Existe alguma coisa sempre nova no provar.
Não falo do provar que reprova, tampouco do provar restrito à novidade. Provo cafés a cada manhã. A cada manhã sou café e letras.
Minha lista de gostos me faz giz laranja a cada vez que cubro uma folha grande pressionando a cera no papel. Na verdade gosto do cheirinho do giz laranja.
Nossas listas de gostos nos dizem aquilo que escolhemos para demorarmo-nos a cada vez que somos. Venho me perguntando: sobre o que temos escolhido nos demorar?
A escolha de demorar-se em algo também é uma escolha de liberdade. Quero dizer com isso que o tempo utilitário serve à velocidade, e o tempo de demorar-se não serve a nada nem a ninguém.
Ele demora sobre as coisas, ele experimenta a margem mole e porosa das coisas. A escolha de demorar-se é uma escolha de liberdade porque é uma escolha marginal.
Demorar-se sobre as coisas é poder transitar pela margem das coisas.

O tempo de demorar-se é brincante por poder entrar e sair do que são as coisas, por conhecer o nada que as coisas são.

Mas falemos sobre a pornografia partilhada…
O que me instiga é isso que praticamos e denominamos partilha. Então acho que não é antes o conteúdo, mas, sim, o tempo.

Me parece contraditório que o tempo da partilha seja veloz. E aí entendo a curiosidade pelo conteúdo. Imagine um encontro entre pessoas na rua. Cada um de nós pode pensar em formas diferentes de um encontro acontecer.

Penso em dois corpos que se abraçam longamente… alguém morreu ou são namorados! Ou talvez tenham saudades um do outro. Mas, quem sabe ainda, gostem de se abraçar e dizer versos recém lidos na condução?

Penso em corpos que se esbarram, _ “Desculpa, foi sem querer! ” Sorriem sem graça e seguem, cada qual, seu caminho. Penso em encontros de raiva, tristeza, felicidade, dor, mania, paixão, último encontro, encontro inesperado, primeiro encontro, encontro de negócios, de reaproximação.

Para cada encontro um tempo. E é no tempo que se demora, onde posso fazer lugar de partilha com o outro.

A troca de qualquer conteúdo pelos celulares modernos é veloz. Assim que recebo uma fotografia do mikey pelado ou o que quer que seja, eu envio imediatamente para os meus contatos. E eles recebem o mikey pelado, ou o que quer que seja, aonde quer que eles estejam, cozinhando em casa, trabalhando, trocando fraldas, transando ou chorando em um velório.

Bem, para mim ficamos realmente nus quando nos demoramos onde gostamos…

O tempo longo me parece ter mais afinidade com partilhas.

O problema em recebermos fotos de pessoas nuas pelo celular não são os corpos das pessoas que estão nuas, sejam eles jovens, velhos (sim, os corpos envelhecem e não há nada de feio nisso), gordos, tatuados ou magros. O problema é nos fazermos disponíveis a todo e qualquer momento.

É a chatice da esvaziada e repetida história, sobre “vazar alguém pelado”, sempre tomando espaço nas manchetes dos jornais. Outra pessoa pelada, mas que raios! Será que não cansamos de ver bundas?! Não interessa se é uma bunda famosa ou não, uma bunda é sempre uma bunda, todo mundo tem bunda. O problema é que aquilo que nos choca ainda é a bunda, e não o abuso sobre expor-se o outro contra sua vontade. O problema é a falta de cuidado ético consigo e com o outro.

O descuido acontece antes, ao apressarmo-nos, sempre nos colocando na frente do outro. Ocupamos abusivamente todos os espaços de privacidade e solidão.

Espaços necessários para que o outro permaneça existindo outro, na sua diversidade e nas suas próprias escolhas. Antes de encontrar o outro, eu saboto o outro, eu vazo o outro, arremesso coisas indiscriminadamente em cima dele. Eu arremesso o outro.
Venho me perguntando sobre o que temos escolhido nos demorar. E com essa pergunta, acabam surgindo sempre as mesmas figuras repetidas e compulsivamente gastas, como a sensação de gozo enfraquecido pelo homem que bate punheta 50 vezes por dia.

Não é fácil sair da prática da velocidade, o círculo compulsivo de funcionamento fácil nos faz acreditar na hierarquia da velocidade sobre o tempo. Aquilo que temos escolhido nos leva a pensar sobre nossas práticas de liberdade. Aquilo sobre o que escolho me demorar fala dos sentidos que trago junto a mim.

Aquilo que escolho indica o que não escolho, tudo aquilo que não escolho fala da minha liberdade enquanto potência criativa em formas de existir. Escolho comidas, borrachas de comer, cheiros de sabonetes de frutas.

Escolho não querer receber mensagens 24 horas por dia. Escolho o gosto de escrever com lápis e papel porque me dá prazer. Escolho questionar se aquilo que escolho foi realmente escolhido por mim. Escolho o tempo de parar, escolho a urgência de nos determos sobre o tempo de demorar-se. Escolho um olhar mais demorado e lindo depois de fazer amor.

Em tempo … um texto longo e chato…

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Em tempo … um texto longo e chato…

Sinto o tic tac do relógio como se fosse a batida do meu próprio coração. Para ser sincera, nunca me preocupei muito com o tempo ou com a passagem natural dele. Mas nos últimos tempos, essa sensação de água escorrendo pelos dedos não me larga de jeito nenhum. Tento entender ou saber o por quê disso.

Talvez porque me aproximo a passos largos de mais um aniversário….. Talvez porque pela primeira vez na vida me sinto útil e visto finalmente a vestimenta de adulta. (já não era sem tempo… e o manequim precisa ser revisto)

Obviamente que cada um encara a passagem do tempo como pode e com as ferramentas que tem. Meu aniversário sempre foi agridoce, um momento de contemplação e introspecção, desde que me entendo por gente. E claramente as ramificações filosóficas e existenciais tem se aprofundado com os anos. Não satisfeita de contemplar o meu próprio envelhecimento, observo o de algumas pessoas próximas…. e assim.. de um modo geral vou percebendo como as coisas caminham….

E quer saber, as coisas estão caminhando bem. Podiam estar melhores? Sem dúvida! Mas podiam estar bem piores também. O tempo me tirou coisas muito preciosas, mas colocou em seu lugar coisas que também não tem preço. De outra forma, não poderia ter chegado até aqui como sou hoje se coisas ruins não tivessem cruzado meu caminho. A verdade é que ninguém cresce com afeto e amadurece na alegria. Só andamos para frente, evoluímos como pessoas quando passamos por algum sofrimento ou processo de perda. (Salvo raros casos de pessoas mega ultra bem resolvidas… Como não as tenho por perto… falo do que conheço )

Toda a dor que eu passei na vida me fez ser uma pessoa muito mais humana, o sofrimento, sem dúvida, me deu humildade diante da vida, me colocou de joelho, me fez desconstruir ideias limitantes, me livrar de pensamentos e antigos hábitos que já não me serviam mais. Me fez olhar para o lado, olhar dentro dos olhos do outro e ouvir também a sua história, me deu empatia com a dor e com o sofrimento que as pessoas passam.

Me fez colocar a minha própria dor em perspectiva e avançar no processo de aprendizagem das coisas. Me fez parar de ficar reclamando da vida e das coisas, me ejetou do lugar de vítima, como se tudo só acontecesse comigo, que tudo dá errado só comigo, que a minha vida é mais complicada que a dos outros. Não tenho mais tempo, nem energia para ficar nessa areia movediça, nesse processo infrutífero de autocomiseração. As coisas são como são e pronto. Eu queria que fossem de outro jeito? Sim, mas não são. As coisas são como tem que ser.

Minha mãe me falava disso o tempo todo, e eu simplesmente não entendia. E achava que ela não me compreendia. Mas ela já estava lá na frente e sabia das coisas. Tem coisas na vida que não dependem da gente, são as cartas que a vida nos dá e isso a gente tem que aceitar. E dentro do que acreditamos, vamos buscando entender e dar sentido ao que parece, acaso, sorte, coincidência, destino, karma, lei de causa e efeito, vontade divina, a lista é extensa, sem dúvida. Agora, o que fazemos com as cartas que a vida nos dá, isso é só com a gente mesmo. A vida está acontecendo agora e se não estamos gostando da nossa sorte, está na hora de começar a mudá-la.

A verdade é que não se pode ter um resultado diferente fazendo sempre as mesmas coisas. Para se ter algo que não se tem devemos fazer algo que nunca fizemos. Isso é um princípio simples de proporcionalidade e lei da compensação.

Somos avarentos com nosso afeto, mas queremos todo o amor do mundo. A gente não se dá, nem pela metade e queremos que os outros sejam inteiros. O mundo está cheio de gente fazendo jogo, dando o mínimo, mas querendo ter o máximo de retorno.
As coisas não funcionam assim, causa um desequilíbrio cujos danos talvez não possam ser reparados… pois o tempo … como já dizia um dos meus admiráveis pensantes … “O tempo não para ” … As vezes a gente é quem precisa fazer existir o momento certo …. ou ele nunca virá…

Patinho feioso…. que lindo és tu !

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Patinho feioso…. que lindo és tu !

Um filhote de cisne é chocado no ninho de uma pata. Por ser diferente dos demais filhotes, o pobre é perseguido, ofendido e maltratado por todos os patos e outras aves. Um dia, cansado de tanta humilhação, foge do ninho. No caminho uma família de camponeses encontra o “patinho” feio e ajuda-o a superar o inverno. Quando finalmente chega a primavera, a família devolve-o para o lago, onde ele abre as suas asas e se une a um majestoso bando de cisnes, sendo então reconhecido como o mais belo de todos. (http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Patinho_Feio). Esse é o resumo do famoso conto infantil escrito por Hans Christian Andersen e publicado pela primeira vez em 11 de novembro de 1843.

Toda família, toda sociedade e todo o mundo tem um denunciante. São aqueles indivíduos que sentem, inconscientemente, que sua família tem algo errado, algo diferente, que alguma ou várias peças não se encaixam. Do denunciante não foi conseguido esconder esse conteúdo. Mas alguns membros familiares também não sabem que escondem. Como disse, é inconsciente. O corpo do chamado patinho feio sente e denuncia dentro dele mesmo as dores familiares em forma de doença física e mental.

Então, em vez de ser o indivíduo que percebe o que está acontecendo, ele passa a ser para a família apenas o que adoece. E doente não tem força, é sinônimo de fragilidade, não serve pra muita coisa. Logo, toda a família do patinho feio encontra uma forma de depositar suas dores e suas angústias nele. Quem nunca ouviu as clássicas frases “Sou assim por culpa dele”; “Ele é a ovelha negra da família”; “Olha o que você está fazendo com todos nós?”.
Jean-Paul Sartre, filósofo francês, escreveu a famosa frase “O inferno são os outros” e acrescento … isso cabe aos que tem de fato uma incrível dificuldade para lidar com o Outro… para explicar que a culpa é sempre do outro, nunca de quem se diz.

No caso da família, esta se apropria dessa frase e pensa: “Os doentes são os outros”. O patinho inconscientemente assume a responsabilidade de que todas ou a maioria das angústias familiares são geradas por culpa sua. Ele é o estranho. Na psicanálise chamamos o patinho feio de paciente identificado.

Se o paciente identificado buscar ajuda terapêutica, talvez terá uma chance de “abandonar” esse papel imposto e aceito por ele. Aos poucos o patinho feio poderá entender que ele não é tão feio assim como o pintam e começa a perceber que os outros membros da sua família também são problemáticos. Como na história de Hans, quando o patinho foge da sua família e sai do “lugar de doente” , ele percebe que é diferente, mas diferente no sentido positivo. Ele é um cisne em crescimento. Ele não é o que a família dele disse ser.

Mas ainda há outro problema. Quando o paciente identificado começa a recuperar sua saúde mental, a família entra em crise pois começa a perceber que o problema também está em todos os membros. Então, sem perceber, começam a atacar o patinho feio para voltar para seu lugar de origem pois quando ele era o doente tudo estava em harmonia, tudo estava no seu “devido lugar”. Se o paciente identificado resistir, ele não voltará para o seu posto instituído, pois entendeu que agora está em um lugar melhor. Mas é claro que é um processo doloroso, pois nas relações familiares estão envolvidos vários sentimentos como amor, ódio, alegria, tristeza. E nessa ressonância de forças… o terapeuta bem… rs ele deve estar preparado para isso , ao menos supõe-se.

Se a família toda buscar ajuda terapêutica, o resultado poderá ser melhor ainda. Pois os membros da mesma entenderão que todos têm suas neuroses e principalmente responsabilidade por elas.

Terão a oportunidade de re-significarem seus sentimentos e práticas no ambiente familiar, podendo até melhorar a qualidade de vida de todos os membros. É um processo lento, mas vale a pena.

Admitir seus erros e suportar suas angústias é um ato de coragem admirável. Ninguém é tão bom, maduro e bem resolvido como pensa. Geralmente, só nos aguenta quem nos ama de alguma forma. Como Hans nos ensina, o que precisamos às vezes, é de um lugar que tenha pessoas que nos entenda e nos acolham suficientemente bem no inverno. A família pode ser esse lugar ou não … no caso alguma outra “família” poderá ser eleita e quem sabe…. seja o melhor e mais aquecido dos invernos…. Se no final acaba tudo bem, de fato não sabemos, afinal…. é vida que segue …

patinho feinho

Bauman e a vitrine

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Bauman e a vitrine

BAUMAN E A VITRINE

Bem, hoje estou para pensar com Bauman … sei la… pertinente ou não…. repetindo ou não… há sempre um novo olhar …

Bora consumir? É o apelo das vitrines …. mas vamos olhar de perto … bem, todavia, pertencer ao clube dos consumidores tem lá suas exigências, sendo preciso estar adequado a elas. O que acontece quando as pessoas também se transformam em mercadorias, precisando se vender e correndo o risco de serem indiferentemente descartadas? O que acontece quando essa lógica chega aos relacionamentos interpessoais, através de aplicativos como o Tinder?

Na sociedade de consumidores, consumir não é mais uma opção. O consumo tornou-se uma exigência, uma maneira de ter participação social ativa, de se tornar interessante para empregadores, amigos e parceiros em potencial. Como explicitou Zygman Bauman no livro Vida para Consumo: A Transformação das Pessoas em Mercadoria, os consumidores que têm o poder para exigir determinado produto ou tratamento do mercado são os mesmos que precisam se adequar a suas regras e tendências. Através de suas escolhas de consumo, os indivíduos da sociedade de consumidores também se vendem como mercadorias que precisam ser atraentes aos olhos de quem desejam atingir. Em outras palavras, eles não apenas pressionam o mercado para que produza bens que lhe agradem e lhe sejam úteis, mas também são obrigados a ser parte essencial do sistema consumista, no qual os próprios indivíduos precisam vender-se como desejáveis, valorosos, interessantes e atraentes.
Eis que surge, em 2012, um aplicativo para sistemas iOS e Androide chamado Tinder. O objetivo? Facilitar a vida de quem quer encontrar uma pessoa interessante para marcar um encontro – ou pelo menos essa é a premissa. As motivações dos usuários variam entre manutenção da vaidade, diversão, cura de término de namoro, sexo casual e até encontrar o amor da sua vida do outro lado da tela.

Mas o que isso teria a ver com a relação entre consumidores e o mercado? Simples. O Tinder nada mais é do que uma gigante vitrine virtual, na qual os usuários se transformam em mercadorias enquanto exercem a função de compradores. No aplicativo, milhares de indivíduos se expõe buscando atingir as pessoas que desejam, ao mesmo tempo em que selecionam que tipo de mercadoria querem consumir nessa mesma vitrine: alto(a), baixo(a), sarado(a), estrangeiro(a), da mesma cidade, moreno(a), loiro(a) e assim por diante.
Sabendo que estão sendo avaliados, cada usuário monta seu perfil de modo a torná-lo o mais atraente possível para o tipo com quem busca se relacionar. As fotos, as frases de apresentação, tudo é pensado de modo a conquistar o maior número de matches possível, de quem interessa. Quanto mais opções, melhor. Afinal, um dos princípios do mercado é a abundância e um de seus requisitos mais importantes é a seletividade.

De trinta opções, escolhem-se dez que mais agradam. Desses dez candidatos, alguns serão eliminados para que sobrem apenas os mais qualificados para agradar o usuário. Os mais bonitos, os com melhor papo, os que moram nos lugares mais legais, cada um tem sua própria ordem de preferência. O fato é que, ao final do processo seletivo, sobram umas três ou quatro opções que, seja virtualmente, seja no olho no olho, terão de provar serem produtos que valem todo o investimento emocional e físico que o usuário terá que dedicar a elas. Toda essa triagem é feita em minutos, tão naturalmente que sequer a percebemos.
A comparação tão fria entre o sistema consumista e as relações interpessoais parece exagerada, mas, na verdade, não é. Arranjar um emprego, conquistar notoriedade, conseguir um visto, conviver com pessoas interessantes, criar um perfil virtual; todas essas atividades, tidas como banais pela sociedade consumidora, estão impregnadas por valores de mercado como diferencial competitivo, desempenho, estratificação, entre outros.

Em grande parte, isso se deve ao incessante trabalho da publicidade para normalizar a existência de valores de mercado entre as atividades do dia a dia. Em outras palavras, a publicidade, através de suas imagens, discursos e anúncios, torna normal o fato das vidas contemporâneas serem permeadas – e, em muitos aspectos, regidas – por valores do mercado capitalista. Através da repetição dessas mesmas imagens e discursos, diferentes anúncios de diferentes marcas ensinam ao indivíduo consumidor que é normal fazer a barba para uma reunião importante, vestir-se melhor em ocasiões especiais, trocar o carro por seu modelo novo, ser ocupado, saber administrar o próprio tempo, admirar uma pessoa que cuide da aparência e assim por diante. No fundo, essa supostamente inocente rotina reflete características e interesses de mercado, agora transformados em valores indispensáveis: ambição, flexibilidade, adequação, qualificação.
É um mecanismo tão bem amarrado que se insere mesmo nas esferas mais íntimas, inclusive nos relacionamentos. Assim como novos produtos estão sempre sendo lançados em substituição aos antigos e o descarte de mercadorias é cada vez mais livre de remorso ou reflexão, a necessidade de se envolver com outros parceiros e experimentar coisas novas é latente e perturbadora. Se o olho no olho nos obriga a ser mais delicados – diante de reações que não podemos controlar ou prever na pessoa diante de nós –, o virtual permite que nos afastemos, ignoremos ou mesmo partamos o coração de alguém a distância, sem ter que lidar com a incômoda sensação de perceber que aquela pessoa é de carne e osso.

Como consumidores mimados (usando aqui o termo do próprio Bauman), os usuários do Tinder descartam outros usuários pelos menores caprichos: uma pinta, uma frase ruim, o cabelo naquela foto. Mas até aí, convenhamos, trata-se de um aplicativo para proporcionar encontros rápidos, sendo que a maioria dos casais não chega sequer a se encontrar mais de uma vez. Assim, a triagem digital, dentro da lógica na qual estamos atualmente inseridos, faz sentido. O problema é quando esse comportamento não muda fora do ambiente do aplicativo. Não há transição entre o usuário e o sujeito com uma história e sentimentos. Existe apenas a vontade de saciar um desejo de consumo, mesmo que seja o de encontrar o amor da sua vida. Ao menor sinal de que a pessoa não corresponde às suas expectativas, mesmo em coisas pequenas, nosso aventureiro de Tinder termina o encontro, vai para casa, acessa sua conta e já procura um candidato melhor – sem necessariamente notificar o candidato descartado de que ele perdeu a vaga.
Afinal, se a mercadoria veio com defeito, a culpa é do fabricante. Ele tem sorte de não ser processado (ou difamado) por propaganda enganosa.
rs.

Do que escorre entre os dedos …. ou teclas … ou toques …

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Do que escorre entre os dedos …. ou teclas … ou toques …

“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo.”
Zygmunt Bauman

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar. Não me atrevo a ainda a discutir a sua obra, tamanha contemporaneidade que vislumbro….. mas a alguns entendimentos me atrevo:
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo. Ainda aqueles que se dizem mais “discretos” acabam se expondo de forma a escorrer pelos dedos… pelo público …. e imaginemos o que lhe acontece em privado….. ou não….

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Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida. Mas muitos sentem só estarem vivos desta forma…. ainda que se arrastem feitos zumbis incapazes de lidar e olhar para suas feridas diárias… porque, vamos combinar , o dia a dia dói pra kct (desculpem o termo “chulo) .

virtua
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.

deletofobia
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angustia. Filosoficamente a angustia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.

Eu acho que me desloco, não concluo…..

Nem escritas …. nem enviadas …

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Nem escritas  …. nem enviadas …

Por todas as cartas que foram escritas mas nunca enviadas, por todos os sentimentos guardados que nunca foram revelados e por todo amor que nunca foi corajoso o bastante para seguir :

Tenho que lhe contar que me apaixonei de novo. Mas por favor não interprete essa frase como se eu tivesse deixado de pensar em você. Apenas saiba que optei por tentar acreditar em meus sonhos outra vez.

Sei bem que você irá olhar meu próximo amor e sentir ciúmes, não por eu ser perfeita, justamente pelo contrário, sabe bem dos meus erros, defeitos e imperfeições, mas sei que você olhará para ele e saberá que é o novo dono do meu coração, que terá sorte porque é meu o bom dia que ele recebe todas as manhãs, será das minhas brincadeiras que o sorriso dele virá fácil e rápido em uma tarde qualquer, você saberá muito bem que quando começar a chover forte, é para ele que ligarei por medo que a luz acabe. Você lembra como eu tenho medo do escuro. Mas deixou de importar …
Eu te peço, não me incrimine, me julgue ou tão pouco me crucifique por começar a gostar de alguém. Ao contrário do que muitos imaginam, eu sempre faço a opção de viver o presente, e nesse presente foi você quem optou por não ficar. Me cansei.

Gosto de pensar que ninguém entra em nossa vida por acaso, a verdade é que penso que os acasos são quem nos escolhe. O acaso sabe bem como cuidar da gente, mandou me você quando precisei de um abraço, mandou me outros quando precisei de atenção, quando foi necessário crescer em meio a escuridão. Talvez você não saiba, e eu nunca tenha te contado, mas o amor, querido, é um dom. Amar é para os fortes, para os corajosos.
Lembro me com clareza de cada pessoa que passou pela minha vida. E sabe de uma coisa? Ninguém se foi sem ao menos deixar um sorriso guardado aqui comigo. Por isso eu te digo meu bem, sou a junção da alegria com o amor e a esperança, pois cada um desses itens define a vida de quem acreditou em cada momento na sua devida singularidade, que deu as mãos sem medo do amanhã ou receio do ontem. E ainda assim você foi dono do meu amor … e como esperei que ficasse … que me abrisse a porta a cada volta exausta….

Por isso querido amor, eu te peço novamente, por favor, não me julgue quando eu começar a andar de mãos dados com um estranho na rua, eu apenas me dou a chance não de te esquecer, mas de reviver todos os sorrisos que foram perdidos ou esquecidos em uma esquina qualquer.

Querido, foi por um sopro da vida que o coração do meu pai deixou de bater, mas não será nem por uma ventania toda que o meu deixará de amar e acreditar em verdades utópicas.
Lembra daquela canção que tocou no rádio do seu carro? Pois é, ela é a definição do eco que existe agora no meu coração. E uau, como te amei… você foi e será o único que me teve inteira… porém por uma “desculpa” alimentada em ti mesmo…. decidiu não ficar …..
“ …Eu quero a sorte de um amor tranquilo… com sabor de fruta mordida …”

Essa carta não significa que deixei de te amar, significa que resolvi aproveitar todas as nossas lembranças e me cuidar. Me despeço de você, mas saiba que nunca te troquei, apenas fiz o que era do meu direito: Amei outra vez.

PS. Esse é um texto de absoluta ficção.

das cartas

Coisas que tenho aprendido ….

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Coisas que tenho aprendido ….

Desde crianças, criamos expectativas de que nossas necessidades sejam aliviadas e de que nossos desejos sejam atendidos por quem nos rodeia. ( E isso é fato, precisamos do outro).  Parece fazer parte de nossa natureza acalentar a esperança de que tudo vai dar certo, de que as pessoas nos farão felizes, de que o amor perfeito virá até nós e completará o que nos falta.  ( coisas da relação mamãe bebê e ainda assim …. uma relação de mãe e filho saudável… desde muito cedo deve gerir não só o prazer, mas também o desprazer, a falta “presente”, desde cedo a criança precisa lidar com a frustração de que o outro não suprirá todos os seus desejos…. )  Infelizmente, a vida tende a nos lembrar de que teremos um longo caminho de tombos e de decepções pela frente, pois nada é fácil, nada vem fácil. Cabe-nos não esperar muito dos outros e agirmos por conta própria.

Não semeie expectativas exageradas em relação aos caminhos que percorre. ( falei exageradas pois inevitavelmente nós a criamos sim ). Todos os dias nossa jornada estará sujeita a ventos e trovoadas, a descaminhos escuros que nos derrubarão, arrefecendo-nos os ânimos. Problemas fazem parte da vida de todos nós e sua resolução dependerá da lucidez de nossos sentimentos em relação ao que deve ser feito, repensado e mudado. Deveremos estar preparados para os reveses que nos adentrarão todos os espaços, combatendo-os com equilíbrio, sempre junto aos nossos queridos.

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Não acalente esperanças de que as pessoas serão gratas pelo que você faz por elas, de que será reconhecido pela sua dedicação, sua fidelidade, ou seu empenho em deixar o outro feliz. Muitas delas simplesmente esquecerão tudo isso num piscar de olhos, outras lhe cobrarão ainda mais, enquanto algumas o trocarão por novas amizades, novos companheiros. Cada um dá o que tem, já diz o senso comum, por isso devemos fazer o bem sem condições e sem esperar nada em troca. (Mas vamos combinar que este é um exercício muito difícil….. a gente espera sim….. o amor por ex. …. quase sempre vem com algumas “condições”) …

Não espere que o outro vá mudar, que um dia ele irá acordar do jeito que você quer – isso não existe longe dos enredos de ficção. Ou aceitamos as pessoas como elas são, valorizando em cada uma delas aquilo que têm de melhor e abrindo concessões que não firam nossos princípios e nossa dignidade, para aceitá-las em nossas vidas, ou entraremos em relacionamentos desgastantes e permeados por frustrações e discussões inúteis. (Coisas que tenho aprendido …. )

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Não aguarde que a vida traga até você as oportunidades que contribuirão aos seus avanços pessoais e profissionais. Nada costuma cair no nosso colo assim, como num passe de mágica. Aja em favor de si mesmo, correndo atrás daquilo que você quer, estudando, projetando, atualizando-se, relacionando-se com as pessoas, harmonizando-se com o mundo à sua volta, de forma que os ambientes por onde transitar sejam repletos de portas a serem abertas e de gente que torce por você.

Não nutra desejos de ser aceito por todos, de poder viver a seu modo, de acordo com o que quiser, sem ser mal interpretado ou incompreendido. Encontraremos muita intolerância pela frente, estaremos sujeitos a julgamentos alheios o tempo todo, muitos deles vindos de pessoas que pautam seus argumentos sobre pontos de vista unilaterais, preconceituosos e cruéis. Conserve a fidelidade à essência de suas verdades, dê importância a quem tem importância e caminhe junto a quem estiver ao seu lado com afeto sincero.

Penso que, obviamente, devemos idealizar um futuro de realizações que nos levem à satisfação pessoal e profissional, para que tenhamos sempre algo por que lutar diariamente, ou então permaneceremos presos ao comodismo incômodo, ao amortecimento de nossos sentidos. No entanto, é preciso que adotemos uma postura ativa, impulsionada por idealizações passíveis de serem alcançadas de acordo com o que temos e somos, sem abrir mão de nossas verdades.

Porque esperar do outro aquilo que está dentro de nós fatalmente nos trará uma série de decepções que em nada nos acrescentarão. Na verdade, nós é que somos os responsáveis pela nossa vida, pelas nossas dores e alegrias, ou seja, podemos esperar, sim, mas de ninguém mais do que de nós mesmos.
E ainda quanto as expectativas…… bem…. o melhor seria não te-las, mas ao estar com e para o outro no mundo sempre ela dá uma chegadinha … a grande sacada é transforma-las em projetos… que possam ser cumpridos…. ao outro cabe o prazer de seguir a caminhada de mãos dadas … nada mais……

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Das vírgulas….

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Das vírgulas….

As vírgulas existem para alguns…

Certamente quem se atreve a percorrer os olhos por estas linhas, deseja encontrar uma maneira de apaziguar suas angústias relativas à falta de respostas coerentes para o término de um ciclo.

O fim de uma etapa é sempre o momento de repensar os objetivos que norteiam as atitudes do indivíduo. Será trabalho, relacionamento amoroso, mudança de casa ou cidade e, por que não, país. É um instante de tirar o corpo e mente do piloto automático e procurar governar com sabedoria a próxima viagem para que a parada seja agradável.

E se não houve tempo para refletir, agora haverá de sobra. Você se cobrará por uma resposta de sua intuição, do coração, ou de sua razão. Pode ser uma junção de argumentos também, não importa, apenas que o resultado satisfaça o vazio momentâneo daquilo que partiu, daquilo que findou.
Amizades que deixaram somente boas lembranças, o emprego que te iniciou ao mercado de trabalho, a cidade que te acolheu como cidadã nata, a família que te adotou como parte integrante.

Para quem sofre por antecipação, o sentimento do futuro adeus invade o coração, a lembrança vira saudade de algo que nem mesmo chegou ao fim e os dias que ainda restam ficam sem ser vividos como deveriam. Não há fórmula para viver, mas eles ficam esquecidos porque o dono do livre arbítrio não consegue compreender o quão preciosos são.

Com o tempo, percebe-se que não há adeus. As pessoas ainda estarão por aí nas esquinas dos encontros, nos barzinhos noturnos, nos supermercados, na cidade que pode ser um bom programa de férias, contando suas histórias pelas fotografias do Instagram.

O aprendizado não será deixado no passado, ele será carregado e aprimorado. Lá na frente, em meio aos chamados de vó ou vô, você se recordará em flashes do pontapé inicial, do ponto de partida, dos queridos que te incentivaram, das boas gargalhadas, das viagens, dos apuros e terá a oportunidade de agradecer. Quando houve desânimo, você sabia que podia contar com gente do bem e alegre; quando houve orgulho, você sabia que teria quem lhe trouxesse de volta à humildade.

Crias das próprias escolhas e decisões, você saberá valorizar e ver com olhos de contento tudo o que lhe foi emprestado. Entre cidades, pessoas e empregos, um traçado foi percorrido. Entre curvas e retas, uma história foi narrada. Entre vírgulas, ponto e vírgula ou reticências, um indivíduo transformou-se. Entre pausas curtas e longas, entre respiros e suspiros, aconteceu: houve uma sucessão de dias e noites com pitadas de emoções dos mais variados tons. Até as noites em claro, o peso a mais, ajudou a correr atras do seu equilíbrio.

Fimdeciclo