Em tempo … um texto longo e chato…

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Em tempo … um texto longo e chato…

Sinto o tic tac do relógio como se fosse a batida do meu próprio coração. Para ser sincera, nunca me preocupei muito com o tempo ou com a passagem natural dele. Mas nos últimos tempos, essa sensação de água escorrendo pelos dedos não me larga de jeito nenhum. Tento entender ou saber o por quê disso.

Talvez porque me aproximo a passos largos de mais um aniversário….. Talvez porque pela primeira vez na vida me sinto útil e visto finalmente a vestimenta de adulta. (já não era sem tempo… e o manequim precisa ser revisto)

Obviamente que cada um encara a passagem do tempo como pode e com as ferramentas que tem. Meu aniversário sempre foi agridoce, um momento de contemplação e introspecção, desde que me entendo por gente. E claramente as ramificações filosóficas e existenciais tem se aprofundado com os anos. Não satisfeita de contemplar o meu próprio envelhecimento, observo o de algumas pessoas próximas…. e assim.. de um modo geral vou percebendo como as coisas caminham….

E quer saber, as coisas estão caminhando bem. Podiam estar melhores? Sem dúvida! Mas podiam estar bem piores também. O tempo me tirou coisas muito preciosas, mas colocou em seu lugar coisas que também não tem preço. De outra forma, não poderia ter chegado até aqui como sou hoje se coisas ruins não tivessem cruzado meu caminho. A verdade é que ninguém cresce com afeto e amadurece na alegria. Só andamos para frente, evoluímos como pessoas quando passamos por algum sofrimento ou processo de perda. (Salvo raros casos de pessoas mega ultra bem resolvidas… Como não as tenho por perto… falo do que conheço )

Toda a dor que eu passei na vida me fez ser uma pessoa muito mais humana, o sofrimento, sem dúvida, me deu humildade diante da vida, me colocou de joelho, me fez desconstruir ideias limitantes, me livrar de pensamentos e antigos hábitos que já não me serviam mais. Me fez olhar para o lado, olhar dentro dos olhos do outro e ouvir também a sua história, me deu empatia com a dor e com o sofrimento que as pessoas passam.

Me fez colocar a minha própria dor em perspectiva e avançar no processo de aprendizagem das coisas. Me fez parar de ficar reclamando da vida e das coisas, me ejetou do lugar de vítima, como se tudo só acontecesse comigo, que tudo dá errado só comigo, que a minha vida é mais complicada que a dos outros. Não tenho mais tempo, nem energia para ficar nessa areia movediça, nesse processo infrutífero de autocomiseração. As coisas são como são e pronto. Eu queria que fossem de outro jeito? Sim, mas não são. As coisas são como tem que ser.

Minha mãe me falava disso o tempo todo, e eu simplesmente não entendia. E achava que ela não me compreendia. Mas ela já estava lá na frente e sabia das coisas. Tem coisas na vida que não dependem da gente, são as cartas que a vida nos dá e isso a gente tem que aceitar. E dentro do que acreditamos, vamos buscando entender e dar sentido ao que parece, acaso, sorte, coincidência, destino, karma, lei de causa e efeito, vontade divina, a lista é extensa, sem dúvida. Agora, o que fazemos com as cartas que a vida nos dá, isso é só com a gente mesmo. A vida está acontecendo agora e se não estamos gostando da nossa sorte, está na hora de começar a mudá-la.

A verdade é que não se pode ter um resultado diferente fazendo sempre as mesmas coisas. Para se ter algo que não se tem devemos fazer algo que nunca fizemos. Isso é um princípio simples de proporcionalidade e lei da compensação.

Somos avarentos com nosso afeto, mas queremos todo o amor do mundo. A gente não se dá, nem pela metade e queremos que os outros sejam inteiros. O mundo está cheio de gente fazendo jogo, dando o mínimo, mas querendo ter o máximo de retorno.
As coisas não funcionam assim, causa um desequilíbrio cujos danos talvez não possam ser reparados… pois o tempo … como já dizia um dos meus admiráveis pensantes … “O tempo não para ” … As vezes a gente é quem precisa fazer existir o momento certo …. ou ele nunca virá…

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  1. Longo sim, chato nunca!
    O tempo é um troço que sempre que incomodou, sempre me senti correndo atrás do tempo como se ele estivesse correndo na minha frente e não me acompanhando. Agora vejo que é a gente faz nosso próprio tempo. Mas ainda assim, de vez em quando, me pego pensando no que teria sido se tivesse feito isso e não aquilo, se tivesse “aproveitado” mais o tempo.
    beijos querida ❤ ❤

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