Vamos falar sem orgulho ?!

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Vamos falar sem orgulho ?!

O orgulho foi, até pouco tempo atrás, ignorado até pela Psicologia, então, não se preocupe em quantas vezes você o engoliu a seco e em doses cavalares. Durante a maior parte de sua existência, o orgulho não era visto como uma emoção e, hoje, ele pode ter significados fortes e distintos em cada ser humano.

Orgulho dentro da língua portuguesa possui dois sentidos totalmente contrários um do outro: um faz referência à dignidade, ao respeito, enquanto o outro ao estado emocional desequilibrado que compromete toda uma imagem social. E é, no limite dessas definições, que o sentimento torna-se defensor ou agressor da alma humana.

Há quem considere o orgulho um ato de justiça para consigo mesmo, um reconhecimento, um mérito. Devendo existir com o único objetivo da autopromoção.

Nesse caso, o orgulho pode ser facilmente confundido com a vaidade e com a soberba. Fernando Pessoa, classifica esse tipo de sentimento como natural do homem: “[…] o orgulho é a consciência (certa ou errada) de nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência de nosso próprio mérito para os outros.

Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, por ser ambas as coisas vaidoso e orgulhoso, pode ser – pois tal é a natureza humana – vaidoso sem ser orgulhoso.” (Obra em prosa – Ideias estéticas da literatura/literatura europeia – Editora Aguilar, Rio de Janeiro, página 312).

Nesses casos, a vaidade caminha de mãos dadas com o orgulho, o casamento perfeito, já que um fortalece o outro: “muitos homens têm um orgulho que os leva a ocultar os seus combates e apenas a mostrarem-se vitoriosos” (Honoré de Balzac). Jane Austen, autora de “Orgulho e Preconceito”, afirmava que: “a vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. Sei lá.. não fui eu quem disse…

O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.” Por outro lado, há quem considere o orgulho uma defesa da própria alma, que permite ao homem a não se sujeitar a situações desgastantes. Entendem o orgulho como um sentimento bom e que não deve ser visto como pejorativo ou destruidor.

Admitem que o orgulho sucede de uma dor e que, indiferente da causa da mesma, o sentimento tenta neutralizar a dor causada por algo maior que ele. O orgulho nesse caso é visto como um sentimento nato de defesa. Não servindo apenas para sobreviver a perigos físicos, mas para prosperar em circunstâncias sociais complicadas, de maneiras nada óbvias.

Voltaire tinha um dos pensamentos mais completos do tema: “O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si.” O orgulho aqui, não tem relação nenhuma com os sentimentos inferioridade ou autodepreciação. É um senso de respeito por si próprio, no estilo “não sou melhor que você, mas não admito ser humilhado”.
O grande problema encontrado nesses casos é encontrar pessoas que estejam dispostas a entender isso.

Algumas pessoas costumam entender que orgulho é algo ruim, narcisista.

Eu pessoalmente confesso que é bem difícil o exercício de tal emoção…. e quando lidamos com alguém que está inflado dela…. putz… que vontade mandar ….. (…) enfim…. Tudo na vida é questão de se propor a aprender… com o que parece “bonito” e o não tão bonito em nós…. exercer a função de cada emoção (mesmo aquelas que pensamos serem horríveis em nós) é uma arte a ser manifestada …..
Em doses homeopáticas podemos comparar o amor e o orgulho similarmente a um remédio: na dose certa restabelece o equilíbrio emocional, em quantidades exageradas leva à loucura e, provavelmente, à morte.

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  1. Então, sei la, acho eu que a grande questão nisto é a soberba. Onde o individuo manifesta o seu orgulho de forma exagerada, se torna pretensioso e arrogante, se sente superior ao ponto de humilhar os outros. Mas em outra ponta, no fundo (espelhando no outro) queremos de certa forma que outras pessoas (do nosso convívio) nos admirem por nossos feitos, e acabem sentindo orgulho por isto.

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      • A prática clínica durante muito tempo ignorou o orgulho enquanto uma emoção social fundamental e até positiva.São recentes as pesquisas de por ex. Tracy,L. J., O orgulho era considerado individual e variável demais se comparado a outras emoções viscerais. Espero ter respondido. Caso queira uma melhor explanação sobre o assunto pode me contactar por e-mail. Grata.

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      • Também sou Psicóloga, por isso meu questionamento. Penso um pouco diferente, e aí que está a beleza da vida. Só queria entender o ponto de vista sob este argumento 😉 Obrigada.

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