Cara … lamento informar :

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Cara … lamento informar :

Cara, çê perdeu

(uma amiga falando da outra)

Cara, ela teve que superar todos os momentos e eu tive que ouvir todos os lamentos que ela tinha pra contar. Você acha mesmo que depois dela superar e conseguir amenizar a dor que você causou, ela voltaria pra você? Você esqueceu, mas posso te lembrar. Quando ela pediu pra você ligar e você não ligou. Quando ela pediu pra você ficar e você se foi.

Quando ela pediu pra você vir e você não veio. Quando ela pediu, por vocês, pra continuar e você desistiu. Ela me falou que essa coisa de dar e não receber, ter o que dizer e não ser ouvida, essa coisa de criar expectativas, acreditar e no final de tudo sempre se decepcionar, cansa. E confesso, rezei pra que ela se cansasse de você.

Pra mim, que sempre estive ouvindo mais do que falando foi fácil, mas pra ela nunca foi. Eu espero que entenda que ela se cansou de você, que ela não quer mais te ver e finalmente entendeu que, por mais que ainda carregue você em algum lugar perdido dentro dela, ela sabe que não merece pouca coisa. Então, melhor que você agilize seus passos como agilizou quando ela corria atrás de você. Melhor que você siga sua vida como quando você disse que seguiria e a deixou perdida. Melhor não bancar o inocente, o coerente, nem tentar culpá-la.

Se tem uma coisa que posso te dizer, é que dói pra caralho tentar desfazer um amor enquanto o outro já tem desfeito. É difícil pra cacete segurar as lágrimas ao ver o outro sorrindo de tudo. Mas não existe sensação melhor quando a gente consegue superar isso.
Ela sente sua falta sim. Mas nada que não consiga aprender a conviver com isso. Ela ainda pensa em como você a protegia, ainda sente falta da segurança que você passava, das risadas que você conseguia tirar dela e dos sentimentos mais sinceros que sentia ao te ver.

Ela ainda sente falta de quando você tinha tempo pra ela, quando largava do trabalho e enfrentava o trânsito das 18h só pra vê-la um pouco. Ela ainda sente falta de quando você convidava pra sair e de quando você proporcionava os melhores momentos.

Ela sente falta de quando era a sua primeira opção. Às vezes ela questiona sobre amor. Às vezes fica se perguntando se o erro foi dela ou era isso mesmo que ia acontecer. Ela sente falta de ouvir tua voz, de olhar o teu sorriso nascendo e se pondo pra ela. Ela sente falta das tuas birras, das tuas gírias, da tua memória que sempre falhava e esquecia onde colocou as chaves do carro e do portão.

Ela lembra de cada conversa, de cada desentendimento nunca entendido que distanciou vocês dois. Os abraços, as bobagens e os ciúmes que tomaram proporções maiores e arrancaram de vocês o que já não conseguiam entender. Cara, ela sente falta de abrir a geladeira e ver que você comeu todo o chocolate da sobremesa mas comprou sorvete pra sexta-feira porque isso significava que você passou por ali e que voltaria logo, logo. Ela sente falta de receber você sem tanta espera, de te ter nos braços sem tanto sacrifício, de sorrir com você sem tanto esforço.

Ela sente falta de ir deitar e ter a certeza de que logo cedo você ligaria. Ela sente falta de se sentir a pessoa mais importante que achava que era pra você, de te dar bom dia. Você pode ser aquele cara que deu a ela o céu, as estrelas e todas as constelações que possa imaginar, mas também deixou um grande vazio.

Esse vazio esteve te esperando retornar, mas ela perdeu as esperanças que você voltasse e talvez se voltasse, não seria a mesma coisa. Nunca é a mesma coisa. Talvez … melhor. Talvez vc finalmente o amor sobrevive além de suas atitudes, ele precisa de mimos, afagos, surpresas e sim, flores inesperadas.

Vc fez isso? Ah é… fez…. mas numa tentativa egoísta de seduzir uma idéia só tua enquanto na tua vidinha vc continuava elogiar as novinhas virtuais e etc…. mas ela confia em vc… por incrível que pareça e veja …. tá la…. seus comentários enquanto tava com ela…. ela confia em você. Bem, parafraseando o que li num blog por ae (arquivopirateado) agora vc pode parar de trocar os nomes da agenda….. de ter a vidinha dupla…. de jamais permitir que ela sequer olhasse teu celular …. cara, ela nem quer mais. Çê perdeu pra paz que ela encontrou sem ter que suspeitar mais… de alguém que já perdeu a hora… o bonde….

Ela nunca gostou de ficar horas no telefone, mas ficava com você. Ela nunca gostou de dizer pra onde ia, mas te ligava só pra você não ficar preocupado.

Ela sempre reservava o final de semana pra mim e quando ela começou a reservar pra você eu compreendi e desejei toda sorte do mundo porque ela sempre foi uma garota azarenta pra caralho quando se fala de amor, mas nem sei se você foi sorte assim ou coincidência. Apesar da intuição, ela sempre se envolveu com babacas.

Apesar de ter aprendido, ela sempre chorava pelos mesmos motivos. Ela odiava que interrompessem seu sono, mas amava quando você interrompia só pra falar um pouco sobre a saudade. Ela sempre foi a garota que mais sabia sobre você. Sobre seus bicos, seus vícios e estalos de boca quando te faltava paciência. Ela sempre esteve com você, sempre esteve do seu lado, sempre se importou. Só você que não viu. Ele te amou demais, cara. Ela lutou pra não te esquecer, pra você não se tornar só mais que passou pela vida dela. Ela lamentava todas as vezes que vocês brigaram sem motivos. Ela ouvia músicas e lembrava de você.

Lembrava dos momentos que passou ao teu lado, sorria, chorava. Ela acordava disposta pra te ver, ou ao menos, falar com você. Ela só conseguia dormir bem ao ver você bem também. Ela se culpava dia e noite, tantas vezes, tantos dias. Ela lamentava por ter te amado tanto e por ter te perdido. Ela falava sobre todas as vezes que você foi um idiota e mesmo assim, ela te deu chances. Ela contava sobre todas as chances que você não aproveitou.

Ela chorou por essas chances que te deu e você nem se interessou. Ela se envolveu com outras pessoas pra te esquecer. Ela envolveu outras pessoas nesse caso que você deixou pra ela se livrar sozinha. E cara, ela confia em você, mesmo vendo e lendo teus comentários ridículos ás novinhas de plantão …. mesmo enquanto na outra tela vc dizia que a amava….

Ela se tornou a decepção de outras pessoas por culpa tua. E onde você estava? Nem eu consigo imaginar o tamanho do amor dela por você, mas hoje ela sabe quem foi que perdeu.

Você agora volta achando que ela tem a obrigação de te receber. Cara, cê esqueceu do que fez? Cê acha que ela vai te responder como se nada tivesse acontecido? Cê acha que ela vai ignorar todas as noites em que perdeu o sono e te agradecer por isso?

Você agora não entende do que ela ri porque não sabe do que ela chorou. Ela ri porque encontrou a graça nisso tudo, porque agora se sente livre de você e muito bem, obrigado. E se eu fosse você não forçaria a barra pra tentar entender porque ela anda sorrindo por aí mesmo depois do que cê fez, porque o sorriso dela já não é mais seu, já não é mais pra você.

Cê perdeu. Achou que ela te “sufocava” quando na verdade ela tentava te mostrar que uma vida a dois tem que ser partilhada…. comentada …. e vamos combinar você fazia justamente o mesmo e até pior, o erro dela foi permitir, taí cara, ela permitiu demais…. pra vc era “sufoco” para ela era cuidado.

Ah, se isso for te confortar, ela sente muito e lamenta por tudo. Ela não esqueceu – e nem pretende esquecer – da pessoa incrível que você foi pra ela. Mas ela cansou da pessoa que você se tornou. Vocês não dariam mais certo e ponto final. Ficar nessa vai e volta o tempo todo desgasta aquele restinho de sentimento que ainda pode existir e que ainda luta pra resistir. Ela anda cansada.

Cansada de colocar você em primeiro lugar na vida dela e ela não ser nem a terceira opção da tua. Cansada de perder noites de sono por quem está dormindo tranquilo. Cansada de tentar criar história onde não existe razões pra acontecer. Agora, tá tudo bem, tudo certo. Se quer ir mesmo embora, vai logo, some, desaparece. Leve tudo o que tem direito. Do amor a saudade. Do sorriso a lealdade que prometeste.

Das músicas que vocês eternizaram na memória até as trilhas que vocês escolheram pra selar do encontro a trajetória. Dos CD’s e o vazio de chegar em casa e a atitude covarde de quem nem olhou nos olhos para abandonar . E pelo amor de Deus, não volte, não force. Ela anda tentando fazer a parte dela. Portanto, esqueça dela enquanto ela tenta te esquecer. Já que tudo que vc propôs e não consegui…. ela entende … que nada é um projeto, não é um plano dos dois. É egoisticamente teu. E vc ta se fodendo pelo q ela sente. Agora, çê tu quer uma dica, larga de sua zoninha de conforto e vai construir algo com ela… mas sabendo que não existe amor incondicional…. sem balelas ta.

PS. Ficção.

Os mortos devem ser “enterrados”

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Os mortos devem ser “enterrados”

 

Não tenho uma pesquisa em mãos que possa me confirmar para todos ou pelo menos para a maioria dos consultórios de psicologia do país, mas, na minha modesta prática terapêutica, posso dizer que uma das principais causas para se buscar terapia é a difícil arte dos relacionamentos. Gente que sofre por ciúmes exagerados, por timidez, por amar um canalha, por se pensar um canalha e ainda assim se descobrir apaixonado… Cada caso, uma história única. Cada caso, um desenrolar inédito.

Costumo dizer que num processo psicológico, apostar em algum método definitivo, em alguma proposta única de ação, é pedir para perder. Pessoas são diferentes e, como dizem por aí, “people are strange”. Sob uma determinada situação, em determinadas circunstâncias, com determinadas possibilidades, cada um fará o que bem entender. Por isso, não tento criar aqui um guia de como superar o término do seu relacionamento. Não devoro livros para [com perdão da expressão] cagar regras. Só tenho o intuito levantar alguns questionamentos… a resposta da charada fica com cada um.

Com o tempo de trabalho comecei a notar a repetição de alguns padrões e essa repetição me ajudou a perceber alguns temas maiores. Existe um sentimento de uma geração e das gerações mais jovens, que não aceita muito bem os términos. Há, até mesmo, uma tentativa de viver uma vida sem iniciar relacionamentos, para que não seja possível nenhum final definitivo. Uma cultura que prefere não ver alguma coisa nascer, para não ter que lidar com qualquer a aproximação de um fim.

Além do fato que nenhum momento histórico e geracional é monolítico, a questão é, também, que o amor romântico é a instituição falida que mais dá certo no mundo e todo dia um número significativo de pessoas se apaixona e aposta suas fichas de felicidade e realização pessoal em um relacionamento amoroso. Alguns dão sorte, outros não. Aliás, me parece que a maioria não dá sorte e não vive um “felizes para sempre”. É aí que o psicólogo [yo!] entra em cena.

O relacionamento termina, o coração dói, o mundo perde o sentido, tudo fica cinza. O mundo dos solteiros parece assustador. O sábado se prova, como disse Nelson Rodrigues, uma ilusão… os domingos solitários e tediosos são um preço alto a se pagar. Dói, dói e dói mais. A gente se sente “vazio e ainda assim farto”. AAAAAHHHH! Mas, por incrível que pareça, esse não é o meu maior problema na clínica. O maior problema é quando a pessoa não consegue nem chegar a esse estado.

_ Terminei! _ E como você se sente com isso? _ Muito bem! Percebemos que podemos ser grandes amigos.

“Grandes amigos”. Claro que eu acredito em boa convivência pós-relacionamento, mas é muito suspeito que uma história que foi gerada com outros sentimentos e expectativas, mude tão facilmente de sentido. Como disse no início do artigo, acredito em exceções às regras, mas primeiro tenho que questionar se aquilo ali é mesmo uma exceção.

Um trabalho básico do psicólogo é ajudar o sujeito em análise falar aquilo que ele realmente quer dizer, que realmente pensa e não o que ele entende que seria correto de se dizer ao terapeuta. Falar de desapego anda na moda. Tanta gente metida a entender da “psicologia humana” diz que é importante não criar expectativas. Acredito que isso seria bastante prático, mas não é fácil, raramente acontece. Acabamos produzindo uma geração de pessoas que tamponam os próprios sentimentos com todas as forças que têm… mas, como se sabe, estes sentimentos acabam vazando pelos lados. Criamos expectativas sim!!!!
Podemos elaborar duas versões ideais para se lidar com o fim [ideais no sentido de que você nunca verá uma delas em forma pura por aí].

Uma que vai para o completo desapego e outra que tenta atravessar a dor. O desapego poder ser necessário em muitos momentos, um sentimento a ser aprendido se queremos nos libertar das garras da ilusão [como dizem os nossos amigos orientais]. O maior problema é a compreensão que se tem tido sobre esse desapego pelas bandas de cá, do novo oeste. Desapego é diferente de fuga…

Lembro-me de algum conhecido me dizer que gostava muito de cães, mas que nunca teria a companhia de algum, pois seria muito ruim quando ele viesse a falecer. Quando alguma pessoa me comenta isso, eu sempre me pergunto que certeza é essa que ela tem que o animal irá morrer antes dela… ninguém sabe o dia do amanhã.

O ponto aqui é claro, posso até não sofrer com a morte do cachorrinho, mas também não irei sorrir milhares de vezes com as peripécias desses companheiros de quatro patas. Logo, meu texto é para quem tem coragem de viver e experienciar tudo que a vida proporciona, mas, por alguma desventura, tem que lidar com o amargo sabor da derrota e a sensação de morte em vida.

Os rituais de luto não são apenas formalidades institucionais das religiões. São necessidades psicológicas. Choramos nossos mortos para que possam ir em paz e para que fiquemos em paz. Quando falamos do fim de relacionamentos, não dizemos de uma morte concreta, mas simbólica. Falamos da morte de um conjunto de expectativas. Falamos, também, da morte de uma forma de observar o outro, de tê-lo como objeto romântico e sexual. A questão é que sem os devidos cortes, podemos criar uma legião de fantasmas a nos perseguir. 

Assim como as grandes narrativas, os rituais tradicionais parecem andar um pouco fora de contexto. O melhor é cada um, através de suas tentativas e erros, descobrir seus próprios meios de abandonar aquilo que se foi. Mas para que não fique parecendo que eu sou um daqueles psicólogos que só dizem “fale mais sobre isso”, quero propor três coisas que ajudam a curtir uma fossa no término de relacionamento.

Música – Eu nem preciso falar muito sobre como a música é capaz de influenciar os nossos estados de humor. Usada desde muito tempo como forma de contato com o mundo espiritual, a música pode ajudar a chorar, assim como pode dar algum ânimo para suportar aquele[a] professor[a]/orientador[a]/chefe[a]/treinador[a] tão insensível com a sua dor. Use-a sem moderação.

Exorcize seus demônios através de uma música bem brega que você goste, Tá valendo até Pablo, mas tem vergonha de contar por aí. Curta sua breguiçe.
Escreva – Todo texto que escrevo é uma luta comigo mesmo, com as palavras, com as ideias. Escrever é o ato de dar forma ao mundo fluído do nosso psiquismo. Em um sonho, nossas possibilidades são infinitas e o contraditório pode conviver sem maiores problemas. Na escrita, precisamos de algum tipo de organização, mesmo que isso seja, apenas, a ordem das letras para se formar uma palavra. Como o ditado que ficou em voga pela famigerada carta do vice-presidente Temer: “verba volant scripta manent” [as palavras voam, os escritos permanecem]. ( essa foi forte) Dê concretude ao que se sente, mesmo que seja para destruir em uma “pira funerária” logo depois.
– Movimente seu corpo – Você não é apenas o seu cérebro. Todo seu corpo participa da constituição do que você é. Circular pelas ruas da cidade pode ser uma via interessante para elaborar emoções e memórias. Elas surgirão e você precisará de novos insights para que não se transformem em agentes paralisadores. Com a participação do corpo todo, fica um tanto mais completo… acredite, em um momento de crise, viver sob a ditadura do pensamento racional, não ajuda muito.
Eu poderia ter feito a lista com quatro propostas e colocado uma dica “sertaneja universitária”, indicando a possibilidade de encher a cara de vez em quando como forma de extravasar a dor. Como profissional de saúde não indicarei como forma de tratamento, mesmo sabendo que muitos utilizam esse método milenar.

reginaldo

24/10/2008. Credito: Cecilia de Sa Pereira/Esp. DP/D.A Press. Caderno Especial Orgulho de Pernambuco 2008. Na foto, Reginaldo Rossi, homenageado.

 

 

Enfim, o que quis com esse curto ensaio foi abrir a possibilidade de se ter um pouco menos de medo do sofrimento… somos seres trágicos e não devemos fugir disso, aliás, não temos como fugir… Como disse o grande Jorge Luis Borges: “A felicidade não precisa ser transmutada em beleza, mas a desventura sim”.

Me olha…mas nao me vê

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Me olha…mas nao me vê

Um dia desses você nunca mais saberá de mim. Eu posso escrever livros, poemas e oráculos.

Posso fazer canções que toquem no rádio. Posso solucionar os problemas do mundo, curar doenças e promover a paz mundial. Você ignorará meu nome, renegará minha imagem, excluirá minhas lembranças. E nada disso será proposital. Você simplesmente não notará que sou eu.

Como quem não nota as placas de aviso, quando já se conhece o caminho. Por pura distração.

Na sua boca, não habitará meu nome. A minha boca, evitará o seu. Pra não sentir o gosto e, retomar o vício, e assim, nos despedimos pelo paladar.

amarga

Você nunca mais saberá de mim. Não será preciso me esconder, evitar aquela praça, criar uma rota de fuga ou construir uma fortaleza. Posso passar na sua rua, sentar na sua calçada, pinchar seu muro. Você não sentirá a minha presença. Outra vez, por pura distração.

Assim como não foi capaz de sentir o tanto que gostei de você. Que na última conversa eu sangrava enquanto me despedia, enquanto seu silêncio produzia decibéis tão insuportáveis quanto um grito e me cortava feito navalha. Aquela carta foi um pedido de socorro que você ignorou. Talvez por… Distração?

Realmente chorei quando acordei daquele sonho. E que chorar foi o ato mais repetitivo desde então. Não canto mais aquela música, foi um trato provisório de sobrevivência para desintoxicação.

ai perdeu

Você nunca mais saberá de mim. Porque fui seu equívoco distraído, sua chance fadada ao “não”, o tal amor líquido que você tanto repudiou. Um caso mal resolvido, complicado, que virou fim sem antes ter tido um começo. Sou a mentira sincera, verdade tardia, a cara que foi dada a tapa, que virou a face e sabe que não é digna de redenção.

Sua retina não me capta, e isso soa tanto como um castigo de infância por sempre ter almejado a invisibilidade. Você nunca mais saberá de mim. Talvez nunca soube e, pensar o contrário só é mais uma das minhas ilusões.

ps. Favor não confundir a Obra com o Autor. São apenas devaneios. 

COISAS QUE TENHO APRENDIDO (parte II)

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COISAS QUE TENHO APRENDIDO (parte II)

Como defendi em muitos artigos e defendo vigorosamente em minha vida cotidiana e banal, a generosidade e a gentileza devem ser palavras de ordem. Dizer bom dia, boa tarde, boa noite, sorrir, acenar, falar obrigado e por favor, pronunciar um elogio sincero fazem bem para os outros e para nós mesmos. Eu sou assim e ponto.
Por outro lado, paciência tem limites e bondade não é sinônimo de burrice. Nem compreensão que ultrapasse a explicação 3. Ás vezes é preciso mandar ir à merda mesmo, alto e em bom som caso a pessoa em questão não escute direito ou tenha problemas para abstrair.

Ninguém é obrigado a pensar como ninguém, mas ninguém precisa destilar suas verdades como o mais vil veneno.

Ninguém é obrigado a simpatizar com ninguém, mas ninguém tem o direito de jogar tal antipatia na cara dos outros. Mas se por acaso alguém desrespeita a opinião alheia, dá um show de antipatia ou esculhamba por falta de coisa melhor para fazer ou simplesmente para se sentir menos péssimo consigo mesmo, deve preparar-se para ir à merda. Repeitar o que o outro quer, as vezes pode ser produtivo e evitar muitas coisas … assumir suas cagadas idem!

vai-a-merda-mas-com-todo-o-respeito

Muita gente acha que é falta de educação dar respostas malcriadas para gente sem noção, que se sente dona da verdade, que quer convencer os outros com argumentos baixos, que finge não entender para criar polêmica.

Chega a subestimar as regras óbvias de que 2 +2 são 4…. Ah! Mas só para ele pode ser relativo…. Acho que a pessoa perde o direito de ser tratada com educação quando ela é propositadamente idiota. O que tem demais assumir seus gostos e diversões?

Infelizmente, algumas pessoas param de encher o saco apenas quando são tratadas com firmeza e um pouco de ironia. Caso contrário continuam se achando as maravilhosas do pedaço. Absurdamente tecnológicas e ainda não suportam “discutir” … Acham-se poderosas e assertivas por dizerem palavras ofensivas.

Para mim estas pessoas inconvenientes, pretensiosas, que vomitam suas lindas verdades sem filtros têm preguiça mental porque discordar com classe e educação exige um trabalho intelectual muito mais elaborado e cuidadoso do que simplesmente exibir o seu acervo de grosserias.

Mandar ir à merda não significa necessariamente usar estas palavras. Ás vezes mandamos à merda com um olhar de desprezo, com uma resposta irônica ou apenas com um constrangedor silêncio. Um e-mail não respondido, um convite não aceito podem ser formas bem eloquentes de mandar ir à merda. Não quero dizer que toda vez que não respondem a um e-mail nosso, estão nos mandando ir à merda. Às vezes a pessoa em questão não respondeu porque está num mau momento. O mesmo se refere a convites. Mas quando alguém começa a nos evitar de forma sistemática, ela provavelmente está nos mandando ir à merda. Às vezes com motivo, às vezes sem motivo. Não entrarei nesta questão.Ontem mesmo me mandaram. Curti.

O que desejo ressaltar é que não precisamos engolir tudo. Não precisamos levar na cara e achar normal. Ninguém é saco de pancada de ninguém. E se alguém se sente no direito de transformar os outros em sua válvula de escape para o estresse do dia a dia , mande à merda sem a menor cerimônia.

dedo

Digo mais: quando o idiota em questão for você mesmo, mande a sua insegurança e os seus traumas e manias irem à merda também. Seu lado medroso está te privando de um prazer delicioso? Mande-se à merda! As suas manias estão roubando o seu tempo livre e o seu bom humor? Mande-se à merda! O seu passado triste está atrapalhando o seu presente? Mande-se à merda juntamente com quem te ajudou a ferrar o seu passado! Pode ser bem divertido! Sei la…. só acho.

PS: Aos que se consideram “referenciados” saliento que este é um texto de pura “alegoria”, nenhuma apologia. ok.

Paixao-e-odio

Quase uma crônica …atrasada …

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Quase uma crônica …atrasada …

Estou sempre atrasada, não é?? eu atrasada

Atraso até quando você ta furioso com o carro na calçada me esperando no portão do prédio… (dificultando as pessoas passarem com seus guarda chuvas).

Como é possível, você sempre pontual e eu sempre atrasada. Me desculpe; foram inúmeras ligações, e-mails,  mas afinal são só 20 minutos não é?? Não perdemos o vôo, certo?
– Não, não perdemos o vôo…
Foram tantas viagens, tantos “chopps” com amigas ou não, tantas reuniões extra “office” , foram tantas mensagens não respondidas, emails calorosos descartados, “bons dias” não respondidos…me desculpe… Me desculpe o atraso; eu sei que não te dei a atenção merecida, não devolvi 1 décimo de seu afeto, não respondi a nenhum de seus sorrisos abertos, não depositei em seus lábios nenhum beijo que chegasse aos pés da doçura dos seus…
Me desculpe o atraso…eu não soube te olhar, eu não pude, ora, te olhar seria enxergar em você coisas minhas que você sabia e eu não queria ver… Sempre te falei isso, que amei você porque você era o que existia em mim e eu não via até te encontrar…Me desculpe o atraso…eu não pude te dizer o que você sabia que meu inconsciente queria, (você nem gosta de Freudismos) eu simplesmente não pude, eu era fraca, eu sou fraca, e você, oh Deus, como você é forte; você é uma muralha, e ainda assim consegue ser doce, delicado, amável…

Me desculpe o atraso, em te apoiar nos momentos dolorosos; nos momentos em que você mais precisou, e eu te feri com ciúmes tolos por consequências de um passado que é só seu e não me cabe…. ou melhor… me cabe te acolher…. te afagar… orientar… eu não estava ao seu lado, ou então, eu fugi…fugi por covardia, fugi por medo, fugi porque não saberia como apoiar, pirei e não inspirei afinal, um homem que é infinitamente mais forte do que eu.
Me desculpe o atraso, em não viver intensamente todos os momentos que vivemos, as viagens que fizemos, (perdi as fotos) as aventuras que compartilhamos, você é o parceiro perfeito para qualquer aventura e Pubs e eu idiotamente só percebi depois que não tinha mais uma co-piloto…Me desculpe por não termos ido a todos os lugares que planejamos, mas ainda iremos, me desculpe eu sempre ser o centro das atenções em nossas viagens; você sempre dava prioridade ao meu desejo, apesar de todo planejamento ter começado com você…me desculpe ter perdido a oportunidade de fotografar alguns dos sorrisos mais lindos que você estampou, desculpe não ter podido fotografar o seu “MUITO OBRIGADA por estarmos fazendo esta viagem juntos”, foi o muito obrigada mais lindo e sutil que meus ouvidos sequer ouviram e ouvirão… ( eu , você e uma garotinha by Rio) Embora para você… tenha pesado mais … algumas outras coisas… as suas coisas… não as minhas…

quando-o-amor-chegar-7-728

Me desculpe o atraso em perceber que tudo em minha vida girava ao seu redor desde o momento que você nela entrou; nada mais era o mesmo, nada. Me desculpe levar tanto tempo para perceber que todas as minhas fugas, todas as minhas idas, todos os meus abandonos na realidade não eram abandonos de você, mas abandonos à mim mesmo.
Me desculpe eu ter levado tanto tempo para poder entender que seus olhos sempre refletiram os meus, e por isso a enorme dificuldade de focá-los; desculpe a demora em perceber sua sutileza, pois, era dela que eu havia desistido e havia escondido em mim mesmo; me desculpe achar-me fraca, covarde, afinal, somente depois de idas e vindas pude acordar e ver que minha fortaleza só permanece íntegra a seu lado, me desculpe por tantos anos me enganando, me engasgando, me sufocando, pelo medo e pela covardia em dizer:   EU TE AMO!!( mas pra vc isso não é absolutamente NADA, não muda nada, não resolve nada)
Me desculpe pelo atraso, ainda bem que nós não perdemos o vôo…
– Me desculpe pela espera, você me perdeu…
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Das mensagens não visualizadas … (sinal vermelho)

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Das mensagens não visualizadas … (sinal vermelho)

Ignorando a mensagem….

Alguém disse, certa vez, ser a posse o túmulo do desejo e, assim, acertou em cheio. A maioria de nós anseia avidamente por algo até que o consiga, quando então aquilo tudo como que parece perder a graça, tendo automaticamente diminuída sua importância para nós.

Em seguida, logo voltamos nossos olhos a novos quereres, sempre tentando alcançar o que ainda não possuímos. Agimos assim com as coisas, agimos assim com as pessoas.
Esse comportamento é extremamente nocivo à nossa satisfação pessoal, pois tanto nos distancia do desfrutar prazeroso das conquistas obtidas e das pessoas que “amamos” , quanto nos impede de darmos valor ao que somos, ao que temos e a todos que já caminham conosco. A ambição, quando bem direcionada, é necessária, uma vez que nos motiva a não estacionarmos a energia de nossos sonhos. Contudo, focarmos exclusivamente nossas vidas em conquistas futuras acaba por ceder o terreno que sustenta tudo o que já se encontra conosco e já faz parte de nossa lida. (Então taí um alerta pra vc que um dia disse que ela era a mulher da sua vida)

ignorar
O perigo consiste, sobretudo, em negligenciarmos as pessoas que nos amam verdadeiramente e chegaram aonde estamos de mãos dadas conosco, apoiando-nos com cumplicidade e comprometimento sincero, ajudando-nos a suportar o peso dos reveses enfrentados – e que não foram poucos. Não devemos somente dar o melhor de nós enquanto tentamos conquistar quem amamos, sei la… alguém disse que se houver 30% de afinidade o resto a gente administra….
Não é porque conquistamos alguém que podemos nos tranquilizar e ignorar as suas necessidades, na certeza de que aquilo durará para sempre por si só, haja o que houver, e fim de cuidados, fim da atenção, fim do cativar. Nossos queridos precisam ser continuamente certificados de que nos importam, de que lhes somos gratos, de que os amamos, e isso não se consegue transmitir através de silêncio, desinteresse, tampouco de corpo presente sem alma, sem calor.

perdeu

 

É preciso cuidado constante se é isso é um saco pra mim findo … afinal… o mundo está cheio de pessoas interessantes….

 

conte
A sedução e a conquista devem permear cada etapa de desenvolvimento dos relacionamentos, de modo a que o outro nunca tenha que conviver com olhares desencontrados, passos descompassados, sonhos compartilhados no vazio, vozes perdidas e sem retorno.

Ninguém merece ser ignorado por quem lutou, por quem viveu de dentro, por quem amou verdadeiramente e de forma recíproca.
Ninguém deveria frustrar-se frente ao que se dedicou com inteireza, honestidade e doação transparente. Mensagens recebidas e não visualizadas…. que coisa mais infantil… para quem um dia chorou de amor ao telefone … volte 3 casas…

 
Não podemos, portanto, nos acomodar e deixar de entrelaçar as mãos com quem sempre esteve ali torcendo por nós, acreditando em nossos sonhos, amparando os nossos passos, enxugando nossas lágrimas e comemorando nossas vitórias.  O principezinho disse que seremos eternamente responsáveis por quem cativarmos, discordo, isso seria um peso, somos responsáveis por nós mesmos, e se outro não quer… que ao menos abra espaço para outras viagens…. pois, tal como as plantas, o amor que não é cultivado e regado, com dedicação e verdade, descolore, arrefece e morre. Simples assim. Penso aqui quão belo o epitáfio…rosa rose

Evite esse sujeito e todos os seus predicados …

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Evite esse sujeito e todos os seus predicados …

Evite esse sujeito … e todos os seus predicados …

Ele é bonito, viajado, fala várias línguas, se veste bem e é extremamente educado – sempre segura a porta para as mulheres passarem, puxa a cadeira, abre a porta do carro. Entende de vinhos, música erudita, literatura, teatro.

Não é rico, mas tem uma vida econômica estável e cercada de pequenos luxos.
Seu humor é irônico, ácido. É incapaz de cometer uma indelicadeza com quem quer que seja, porém, é mordaz com quem possui intimidade – criticando roupas e o modo de andar e de falar dos que julga menos polidos do que ele.

Gosta de presentear, gosta de partilhar seu conhecimento: “leia o livro x”, “escute a música y”, “vá ao teatro z”.
Detesta seu país. Por ter vivido em Paris acredita que seus conterrâneos são atrasados, mal educados, mal vestidos e incautos – sempre que pode, numa reunião entre amigos, desmerece a cultura de seu país com frases do tipo “aqui os atores representam tão mal”.
E por ostentar uma altivez tamanha e sugerir (ainda que tacitamente) que possui algo que os demais não possuem, é extremamente sedutor – afinal a paixão é a crença de que o outro tem o que nos falta.

Trata-se de um hedonista que vivencia plenamente os prazeres que a vida pode proporcionar – do luxo e do requinte de uma boa mesa à uma cama com lençóis de seda e uma bela dama sobre ela.

Ostenta a melancolia chique dos que fingem que por saberem que nada sabem não passam de reles miseráveis.

Quando (supostamente) apaixonado, escreve mensagens matinais como: “Que outros desejem a fortuna, a glória, as honras, eu desejo-te a ti. Só a ti, minha pomba, porque tu és o único laço que me prende à vida, e se amanhã perdesse o teu amor, juro-te que punha um termo, com uma boa bala, a esta existência inútil”.

E faz promessas ardentes e enlouquecidas de paixão como: “Quando estou ao pé de ti sinto-me tão feliz; parece-me tudo tão bom… Queres que fujamos? Foge comigo, vem, levo-te! Vamos para o fim do mundo”. (Se identificou? Hã? não? )

À medida que a relação progride e um certo grau de intimidade é estabelecido, ele passa a criticar paulatinamente o objeto de sua “paixão”: “não use esse tipo de sapato”, “aprenda a tocar tal música no piano”, “fale baixo”, “não acredito que você nunca leu esse livro?!”, “você é infantil”, “solte esse cabelo”. (o que para mim, já significa estar pedindo para sair … então “vaza”, “rala peito”,)

E quando a dama finalmente se entrega, aceita os seus apelos e faz as malas para viver com ele, ele fica irritadiço, diz que as coisas não podem ser feitas de modo tão precipitado; diz que está trabalhando demais e que em breve terá que viajar para o exterior a negócios, e… desaparece. (Típico)

Não, ele não é o canalha que partiu o seu coração. Ele é Basílio, personagem de Eça de Queiroz do livro “O Primo Basílio” (Editora Record), que levou sua prima Luísa, de vinte e poucos anos, à ruína. (Confesso que também me perdi enquanto escrevia ao som de Girl, You’ll Be A Woman Soon)

Publicado em 1878, o romance deveria ser leitura obrigatória para todas as meninas em fase de formação. Não apenas porque a narrativa é pungente e questiona os valores das famílias ditas tradicionais, tampouco por tratar-se de um grande clássico, com personagens riquíssimos; nem por nos prender à sua narrativa do começo ao fim das 266 páginas; mas porque, para além da chantagem que Luísa – a prima que se apaixona pelo primo galanteador – sofre de sua criada invejosa Juliana (que descobre a traição da patroa, casada com Jorge), podemos entender a lógica DESSE TIPO de homem:

“Não lhe faltava mais nada senão partir para Paris com aquele trambolhozinho! Trazer uma pessoa, havia sete anos, a sua vida tão arranjadinha, e patatrás! Embrulhar tudo, porque à menina lhe apanharam a carta de namoro e tem medo do esposo! Ora, o descaro! No fim, toda aquela aventura desde o começo fora um erro! Tinha sido uma ideia de burguês inflamado ir desinquietar a prima da Pratiarcal. Viera a Lisboa para os seus negócios; era tratá-los, aturar o calor e o boeuf à la mode do Hotel Central, tomar o paquete e mandar a pátria ao inferno – e ele, burro, ficara ali a torrar em Lisboa, a gastar uma fortuna em tipoias para o Largo de Santa Bárbara para quê? Para uma daquelas! Antes ter trazido a Aphonsine! Que verdade, verdade, enquanto estivesse em Lisboa o romance era agradável, muito excitante; porque era muito completo! Havia o adulteriozinho, o incestozinho. Mas aquele episódio agora estragava tudo! Não, realmente, o mais razoável era safar-se”!

Sei la …Imagino que se eu tivesse lido a obra de Eça de Queiroz aos dezesseis anos teria poupado muitas lágrimas inúteis em minha vida e teria pensado algumas vezes antes de me jogar de cabeça em certas relações com janotas como Basílio. Talvez nunca tivesse pensado, como Luísa:

“As qualidades de Basílio apareciam-lhe então magníficas e abundantes como os atributos de um Deus. E estava apaixonado por ela! E queria vir viver ao lado dela! O amor daquele homem, que tinha esgotado tantas sensações, abandonado de certo tantas mulheres, parecia-lhe como a afirmação gloriosa de sua beleza e da irresistibilidade da sua sedução. A alegria que lhe dava aquele culto trazia-lhe o receio de o perder. Não o queria ver diminuindo; queria-o sempre presente, crescendo, balançando sem cessar diante dela, o murmúrio lânguido das ternuras humildes”.

A pomba Luísa teve um final trágico – aliás, o final do livro é arrebatador –, porém não senti pena dela. Afinal, não passava de uma mocinha que vivia numa província, em 1878, que nada sabia da vida. Senti pena de nós, mulheres ditas modernas, que vivem sua sexualidade livremente, trabalham, têm acesso à informação, grau universitário; mulheres viajadas, inteligentes, cultas, que sabem se vestir, falam várias línguas, comandam empresas, escrevem romances, mas que ainda, sim, caem nessa pantomima.

FALANDO NISSO Em 1988, a Rede Globo exibiu a minissérie O Primo Basílio, baseada no romance de Eça de Queiroz, tendo Giulia Gam como Luísa e Marcos Paulo no papel principal. E na música “Amor I love You”, de Marisa Monte, consta um trecho do livro – referente aos sentimentos de Luísa ao receber a primeira carta “apaixonada” de Basílio – na voz de Arnaldo Antunes. O livro também fora adaptado para o cinema em 1959, por António Lopes Ribeiro, e por Daniel Filho em 2007.

Nota: Para os que têm dificuldade de interpretar texto, informo que as características citadas no começo dessa resenha (beleza, educação, erudição, gentileza, etc) são sempre muito bem vindas, em homens e mulheres, não há nada de errado com elas. O erro acontece quando tais características são usadas de modo perverso, como ferramentas de manipulação, como Eça de Queiroz nos demonstra brilhantemente com seu personagem Basílio.

Amor I Love You…

Quase uma canção para quem não sabe amar …

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Quase uma canção para quem não sabe amar …

Na linguagem do poeta é duvidoso saber que alguém pode ser tão demente, porra louca, inconsequente e ainda amar, assim como na canção que rola solta pelas vielas do coração, se pode escutar que não é possível ser esperto, inteligente e ao mesmo tempo amar. Não vou negar, o amor tem dessas coisas.

Enfurece, engrandece e esquece. O amor é remédio para a alma. Faz qualquer um parar, deixar de lado suas mil e uma coisas inadiáveis, e respirar. Como o ato de respirar, amar exige uma troca e um repouso da loucura do que somos para contemplar o outro e nele, nos encontrarmos.

Quase como o desejo mútuo que sentimos por nós, buscamos no outro, por egoísmo ou narcisismo, um espaço que nos caiba. Mas amor não é tão simples como se pensa, nele cabe, o que não cabe na despensa. A linha traçada do amar e do querer é tortuosa e não está desenhada na mão e nem nos traços de ninguém. Muito menos nos lábios de quem se ama. O amor é uma cãibra. (coisas que li por ai)

Há quem diga que o amor pelo outro parte do amor que sentimos por nós. Há quem diga que não, yo nunca amaré a nadie! Há corajoso para tudo nesse mundo, inclusive para não amar. O amor é feito de paixões e quando perde a razão, não sabe quem vai machucar.

Muitas vezes o medo de se machucar é maior do que o de amar. “O amor é um precipício, a gente se joga nele e torce para o chão nunca chegar”, diz o doce coração de Lisbela e olhe, que na ingenuidade de menina, ela se demonstra mais corajosa do que muita gente quando o assunto é se machucar.

Só é bom se doer, amigos. Amar é mais que entrega, é costurar no outro as paixões que sentimos, como o bordado e a artesã. Precisamos ser um pouco mais do que somos para fechar o olho esquerdo e acertar a linha no buraco da agulha.

Daí me vem um mas doido e me diz que amor só não basta… e não basta mesmo… porra … mas sinto lhe informar que ele desencadeia tudo o que pode bastar … mas pra isso o doido não pode se curar….

.

Arde, já dizia Camões. Mais próximo do amante do que o amor, só a boemia das noites em que o desejo pulsa mais do que qualquer pecado que tenha nome.

A peleja do amor e do desejo esbarra no egoísmo. É possível sim amar o outro sem se amar, mas porra … a gente ama mesmo é outro…. a gente tem é que se tratar … se cuidar …. e de quando em vez da pra dar um beijo no espelho sem se narcisar … todos os dias, em todos os pai nossos antes de dormir as pessoas amam e dizem que vão morrer de amor, como vi um flanelinha na semana passada gritando em meio aos carros: “Vou morrer de amor…!”.

O charme da vida está aí. Não se morre de amor. Morrem os amores e os amantes. Morre-se de dor de cotovelo, de dor dente e de dor de barriga. Mas de amor, só Romeu por Julieta.

Um diz que ama e e o outro diz que ama, então nasceu o mundo e depois disso não se ousa mais compreender quem é quem e o que é o que é.

Ninguém na verdade nunca conseguiu, nem o mais tenebroso Buk, que de tanta raiva escreveu que o amor é um cão dos diabos. O outro bateu a porta e foi embora, e a loucura continua lá, minha, sua, de nosotros.

Aí vem o menino dos cachinhos dourados dizer que somos eternamente responsável por aquilo que cativamos. Senta no bar e bebe a primeira dose príncipe. Quando somos nós quem batemos a porta, não queremos caber no ditado de Exúpery.

Tarefa mais difícil do que dizer eu te amo é dizer eu me amo. Todos os dias morrem de amor nos trópicos (ai de mim Copacabana!), diria o conselheiro Xico Sá.

As possibilidades de felicidade por mais egoístas que são, são verdadeiras, porque por mais vagabundo que seja o coração, Gal Costa, não podemos abraçar o mundo com as pernas (eu bem que tento).
Continuando nos versos do poeta, é preciso ver o amor como um abraço curto, para não sufocar. Sem ironias … a resposta pode ser doída …ou não. Insisto?

existo

Vamos falar sem orgulho ?!

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Vamos falar sem orgulho ?!

O orgulho foi, até pouco tempo atrás, ignorado até pela Psicologia, então, não se preocupe em quantas vezes você o engoliu a seco e em doses cavalares. Durante a maior parte de sua existência, o orgulho não era visto como uma emoção e, hoje, ele pode ter significados fortes e distintos em cada ser humano.

Orgulho dentro da língua portuguesa possui dois sentidos totalmente contrários um do outro: um faz referência à dignidade, ao respeito, enquanto o outro ao estado emocional desequilibrado que compromete toda uma imagem social. E é, no limite dessas definições, que o sentimento torna-se defensor ou agressor da alma humana.

Há quem considere o orgulho um ato de justiça para consigo mesmo, um reconhecimento, um mérito. Devendo existir com o único objetivo da autopromoção.

Nesse caso, o orgulho pode ser facilmente confundido com a vaidade e com a soberba. Fernando Pessoa, classifica esse tipo de sentimento como natural do homem: “[…] o orgulho é a consciência (certa ou errada) de nosso próprio mérito, a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência de nosso próprio mérito para os outros.

Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, por ser ambas as coisas vaidoso e orgulhoso, pode ser – pois tal é a natureza humana – vaidoso sem ser orgulhoso.” (Obra em prosa – Ideias estéticas da literatura/literatura europeia – Editora Aguilar, Rio de Janeiro, página 312).

Nesses casos, a vaidade caminha de mãos dadas com o orgulho, o casamento perfeito, já que um fortalece o outro: “muitos homens têm um orgulho que os leva a ocultar os seus combates e apenas a mostrarem-se vitoriosos” (Honoré de Balzac). Jane Austen, autora de “Orgulho e Preconceito”, afirmava que: “a vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. Sei lá.. não fui eu quem disse…

O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.” Por outro lado, há quem considere o orgulho uma defesa da própria alma, que permite ao homem a não se sujeitar a situações desgastantes. Entendem o orgulho como um sentimento bom e que não deve ser visto como pejorativo ou destruidor.

Admitem que o orgulho sucede de uma dor e que, indiferente da causa da mesma, o sentimento tenta neutralizar a dor causada por algo maior que ele. O orgulho nesse caso é visto como um sentimento nato de defesa. Não servindo apenas para sobreviver a perigos físicos, mas para prosperar em circunstâncias sociais complicadas, de maneiras nada óbvias.

Voltaire tinha um dos pensamentos mais completos do tema: “O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si.” O orgulho aqui, não tem relação nenhuma com os sentimentos inferioridade ou autodepreciação. É um senso de respeito por si próprio, no estilo “não sou melhor que você, mas não admito ser humilhado”.
O grande problema encontrado nesses casos é encontrar pessoas que estejam dispostas a entender isso.

Algumas pessoas costumam entender que orgulho é algo ruim, narcisista.

Eu pessoalmente confesso que é bem difícil o exercício de tal emoção…. e quando lidamos com alguém que está inflado dela…. putz… que vontade mandar ….. (…) enfim…. Tudo na vida é questão de se propor a aprender… com o que parece “bonito” e o não tão bonito em nós…. exercer a função de cada emoção (mesmo aquelas que pensamos serem horríveis em nós) é uma arte a ser manifestada …..
Em doses homeopáticas podemos comparar o amor e o orgulho similarmente a um remédio: na dose certa restabelece o equilíbrio emocional, em quantidades exageradas leva à loucura e, provavelmente, à morte.

A velocidade do nu …

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A velocidade do nu …

 

Algumas pessoas têm fotos de pornografia no celular. Eu tenho comidas Gosto de ver comida e, às vezes, gosto de enviar fotos de comidas para meus melhores amigos. Também gosto de desenhar vestidos. Me acalma e me faz sentir bem quando estou doente.

Gosto do cheiro da cor laranja no papel.

Gastar um giz de cera laranja, bem laranja, no papel é uma delícia.

Gosto de cactos e pequenas plantinhas suculentas. Gosto de cafés, e barulho de vento.

Gosto de morder borrachas.

Quando era pequena, minha mãe advertia sobre o perigo de comer borrachas. Aprendi que borrachas não são comestíveis.

Aprendi também que continuo gostando de comer borrachas. Comer comê-las não, mas mordo-as todas.

São gostosas de enterrar os dentes e provocam um calorzinho bom nas gengivas.

Quer dizer, as crianças testam as coisas, experimentam, provam. Provar o mundo é uma delícia. Devíamos fazer o mesmo, confesso que ainda o faço.
Provo o gosto do café preto todos os dias.
Provo as manhãs com leitura e café preto.
Existe alguma coisa sempre nova no provar.
Não falo do provar que reprova, tampouco do provar restrito à novidade. Provo cafés a cada manhã. A cada manhã sou café e letras.
Minha lista de gostos me faz giz laranja a cada vez que cubro uma folha grande pressionando a cera no papel. Na verdade gosto do cheirinho do giz laranja.
Nossas listas de gostos nos dizem aquilo que escolhemos para demorarmo-nos a cada vez que somos. Venho me perguntando: sobre o que temos escolhido nos demorar?
A escolha de demorar-se em algo também é uma escolha de liberdade. Quero dizer com isso que o tempo utilitário serve à velocidade, e o tempo de demorar-se não serve a nada nem a ninguém.
Ele demora sobre as coisas, ele experimenta a margem mole e porosa das coisas. A escolha de demorar-se é uma escolha de liberdade porque é uma escolha marginal.
Demorar-se sobre as coisas é poder transitar pela margem das coisas.

O tempo de demorar-se é brincante por poder entrar e sair do que são as coisas, por conhecer o nada que as coisas são.

Mas falemos sobre a pornografia partilhada…
O que me instiga é isso que praticamos e denominamos partilha. Então acho que não é antes o conteúdo, mas, sim, o tempo.

Me parece contraditório que o tempo da partilha seja veloz. E aí entendo a curiosidade pelo conteúdo. Imagine um encontro entre pessoas na rua. Cada um de nós pode pensar em formas diferentes de um encontro acontecer.

Penso em dois corpos que se abraçam longamente… alguém morreu ou são namorados! Ou talvez tenham saudades um do outro. Mas, quem sabe ainda, gostem de se abraçar e dizer versos recém lidos na condução?

Penso em corpos que se esbarram, _ “Desculpa, foi sem querer! ” Sorriem sem graça e seguem, cada qual, seu caminho. Penso em encontros de raiva, tristeza, felicidade, dor, mania, paixão, último encontro, encontro inesperado, primeiro encontro, encontro de negócios, de reaproximação.

Para cada encontro um tempo. E é no tempo que se demora, onde posso fazer lugar de partilha com o outro.

A troca de qualquer conteúdo pelos celulares modernos é veloz. Assim que recebo uma fotografia do mikey pelado ou o que quer que seja, eu envio imediatamente para os meus contatos. E eles recebem o mikey pelado, ou o que quer que seja, aonde quer que eles estejam, cozinhando em casa, trabalhando, trocando fraldas, transando ou chorando em um velório.

Bem, para mim ficamos realmente nus quando nos demoramos onde gostamos…

O tempo longo me parece ter mais afinidade com partilhas.

O problema em recebermos fotos de pessoas nuas pelo celular não são os corpos das pessoas que estão nuas, sejam eles jovens, velhos (sim, os corpos envelhecem e não há nada de feio nisso), gordos, tatuados ou magros. O problema é nos fazermos disponíveis a todo e qualquer momento.

É a chatice da esvaziada e repetida história, sobre “vazar alguém pelado”, sempre tomando espaço nas manchetes dos jornais. Outra pessoa pelada, mas que raios! Será que não cansamos de ver bundas?! Não interessa se é uma bunda famosa ou não, uma bunda é sempre uma bunda, todo mundo tem bunda. O problema é que aquilo que nos choca ainda é a bunda, e não o abuso sobre expor-se o outro contra sua vontade. O problema é a falta de cuidado ético consigo e com o outro.

O descuido acontece antes, ao apressarmo-nos, sempre nos colocando na frente do outro. Ocupamos abusivamente todos os espaços de privacidade e solidão.

Espaços necessários para que o outro permaneça existindo outro, na sua diversidade e nas suas próprias escolhas. Antes de encontrar o outro, eu saboto o outro, eu vazo o outro, arremesso coisas indiscriminadamente em cima dele. Eu arremesso o outro.
Venho me perguntando sobre o que temos escolhido nos demorar. E com essa pergunta, acabam surgindo sempre as mesmas figuras repetidas e compulsivamente gastas, como a sensação de gozo enfraquecido pelo homem que bate punheta 50 vezes por dia.

Não é fácil sair da prática da velocidade, o círculo compulsivo de funcionamento fácil nos faz acreditar na hierarquia da velocidade sobre o tempo. Aquilo que temos escolhido nos leva a pensar sobre nossas práticas de liberdade. Aquilo sobre o que escolho me demorar fala dos sentidos que trago junto a mim.

Aquilo que escolho indica o que não escolho, tudo aquilo que não escolho fala da minha liberdade enquanto potência criativa em formas de existir. Escolho comidas, borrachas de comer, cheiros de sabonetes de frutas.

Escolho não querer receber mensagens 24 horas por dia. Escolho o gosto de escrever com lápis e papel porque me dá prazer. Escolho questionar se aquilo que escolho foi realmente escolhido por mim. Escolho o tempo de parar, escolho a urgência de nos determos sobre o tempo de demorar-se. Escolho um olhar mais demorado e lindo depois de fazer amor.